O paradigma que tem associado o empacotamento, a codificação, a obsessão das instituições e das leis reguladoras, por vez de uma avaliação de resultados, trouxe a cada ato médico uma criação de lixo, quer em plásticos e cartão, quer em informática. É também este um caminho com os dias contados. Kenneth White, em “Le Plateau de L’Álbatroz”, de 2018, elabora um precioso discurso de como o homem dono da natureza (cartesiano) tem de ser substituído pelo homem integrado na natureza e que, portanto, reduz a pegada ecológica (mede a superfície necessária para produzir os recursos consumidos pela população, bem como para absorver os desperdícios que produz.) O novo serviço de saúde tem de reutilizar, tem de reduzir o lixo – afinal, o desperdício, tem de reciclar, abandonando a imposição das exigências dos políticos atuais, em prol de uma indústria gananciosa e de uma economia de favores e de construção de verdades, que a todos nos enganam. Tenho referido muitas vezes Clément Rosset a propósito da política que constrói discursos que nos dão uma visão falsa da realidade, para projetar um desígnio desnecessário, com um fim lucrativo algures.
Bilhete Postal de Diogo Cabrita: Construindo realidades
O paradigma que tem associado o empacotamento, a codificação, a obsessão das instituições e das leis reguladoras, por vez de uma avaliação de resultados, trouxe a cada ato médico uma criação de lixo, quer em plásticos e cartão, quer em informática. É também este um caminho com os dias contados.


