A cefaleia, ou dor de cabeça, é uma queixa frequente em crianças e adolescentes, tendo esta diferentes causas e diferentes tratamentos. Para os pais, muitas vezes, gera ansiedade e obriga a várias observações nos cuidados de saúde. Para o médico colocam-se diferentes questões na avaliação da dor, como a localização, o tempo de duração das queixas e quais os fatores de agravamento e sintomas associados.
A cefaleia pode ser um sintoma isolado da criança (cefaleia primária) ou pode encontrar-se associado a outras doenças (cefaleia secundária).
Uma das cefaleias mais frequentes em idade pediátrica é a enxaqueca, que afeta 10 em cada 100 crianças, e se caracteriza por dor localizada na região frontotemporal, também descrita como um “peso acima dos olhos” ou “nas têmporas”, pulsátil e associada a intolerância à luz, ao som, náuseas e vómitos. Esta é uma cefaleia incapacitante, cujos sintomas podem inferir-se através do comportamento da criança, ao preferir um ambiente calmo e com pouca luminosidade.
Em idades mais precoces, a enxaqueca pode apresentar variantes, como episódios recorrentes de náuseas e vómitos, que ocorrem a cada mês ou semana, sem quaisquer sintomas nos intervalos. Também o torcicolo paroxístico benigno (condição rara e temporária em que a cabeça fica inclinada para o lado) é uma variante de enxaqueca que, por vezes, causa grande ansiedade, por surgir no primeiro ano de vida. Outras variantes são a enxaqueca abdominal (dor de barriga recorrente) e a vertigem paroxística benigna da posição, em que ocorre uma vertigem intensa, que se resolve espontaneamente ao fim de alguns minutos ou horas.
Considerando as cefaleias primárias frequentes, é importante ter em mente a cefaleia de tensão, cada vez mais comum em adolescentes, sendo bastante prevalente na população adulta. Têm uma localização bilateral e por se sentir um “aperto na cabeça”, de intensidade ligeira a moderada, levando a que se tolere a dor durante algum tempo, sem que haja interrupção da atividade.
As cefaleias secundárias são mais preocupantes por surgirem na sequência de uma outra condição, como gripe, miopia ou outras mais raras. São sinais de alarme uma dor de cabeça de início súbito, de grande intensidade e nunca sentida pelo doente, que não melhora com a medicação, dor ou vómitos que acordam a criança durante a noite, ou outros sintomas, como alterações da visão e desequilíbrio.
Se o seu filho apresenta sintomas característicos de cefaleia, consulte um especialista. O reconhecimento permite o diagnóstico e tratamento de situações potencialmente graves. Na maioria dos casos, tratam-se de cefaleias benignas, perante as quais mudanças no estilo de vida ou a prescrição de medicação melhoram consideravelmente o dia-a-dia destes doentes, com a resolução total dos sintomas.
* Neuropediatra no Hospital CUF Viseu e no Hospital CUF Coimbra
N.R.: Esta secção é uma colaboração mensal do Hospital CUF Viseu, na qual os seus profissionais partilham conselhos e dão dicas sobre saúde.


