Opinião de Albino Bárbara: Que mundo é este… Deus meu

Escrito por Albino Bárbara

O mundo, o nosso mundo não está bem. Não anda bem. Está doente. Muito doente.
A história da humanidade é feita de conceitos: o bem e o mal. Tudo isto tem início nos primórdios entre os primeiros descendentes. E se assim foi, com tudo aquilo que História identifica, isto, vai de mal a pior e, as forças do karma pouco ou quase nada ajudam.
A instabilidade global provocada por inúmeros fatores, onde se incluem as guerras, afeta-nos a todos. A insegurança alimentar representa uma ameaça imediata de subsistência à vida, atingindo mais de 350 milhões de seres vivos, dos quais estão incluídos 50 milhões de crianças com menos de 5 anos de idade. A fome no mundo, devastado por conflitos, provoca um alarmante aumento de mortes e sofrimento.
Em Gaza, 85% da ajuda alimentar, absolutamente essencial, não chega à população. A guerra continua na Ucrânia, no Sudão, na Síria, no Iémen, em todo o Médio Oriente, no Afeganistão, na Somália.
A fome é uma constante na Palestina, no Sudão, no Mali, no Congo, no Chade, em Mianmar, na Nigéria, no Burundi, na República Centro Africana e em múltiplos países em vias de desenvolvimento. Dos 54 países afetados por esta calamidade em 43 deles a fome é alarmante. Um flagelo autêntico. Um flagelo de morte.
Para além disso, a instabilidade política e económica, o controlo sobre as terras e recursos hídricos, forçam milhares a abandonar as suas casas e a deslocarem-se apenas com o que têm vestido para outras paragens onde, na maior parte das vezes, damos conta da separação das famílias. E isto sem esquecer as alterações climáticas, com secas e inundações, o aumento constante do preço dos alimentos e ainda algumas interrupções da cadeia alimentar, o que faz com que a injustiça perdure, verificando-se violações sistemáticas dos direitos humanos, acentuando desigualdades e as poucas decisões tomadas a serem pontuais e autênticos remendos.
Acrescentamos a tudo isto as cinco leis que confirmam que a estupidez humana governa o mundo, obrigando Einstein a dizer «Duas coisas são infinitas: o universo e a estupidez humana. No que respeita ao universo, ainda não adquiri a certeza absoluta» e ainda «o mundo é um lugar perigoso. Não por causa daqueles que fazem o mal, mas sim por causa daqueles que observam e nada fazem».
E depois percebemos, tal como Eugénio, que anoitece… e a pergunta persiste:
Que mundo é este «onde os hospitais se cobrem de cinzas e os homens apenas podem dar um horizonte de cidades bombardeadas».
Estamos em crer que ainda há uma resquia de esperança, a tal que é a última a morrer. Ainda há esperança no coração dos homens. Na bondade das pessoas, nos afetos, na sinceridade das palavras, nos olhares reais, nos sorrisos, na presença do calor humano, na vontade de alcançar a PAZ.
E agora… imagine… tal como Lennon.
Imagine que deixa de haver inferno entre nós. Imagine que acima de nós está apenas o céu. Imagine que deixa de haver guerras. Imagine que deixa de haver motivos para matar. Imagine que deixa de haver fome. Imagine que os homens dão as mãos e passam a viver o dia-a-dia em PAZ… E o mudo a ser um só sem necessidade de ganância, onde todos nós compartilhamos o mundo inteiro.
É difícil… Claro, que é difícil!
É possível… Claro, que é possível!
Sonhar, felizmente, não custa nada e a ele devemos o comando da vida. É verdade. O sonho existe e, para tanto, só precisamos de ter a capacidade de sonhar… De sonhar por um mundo mais justo, mais livre e mais fraterno.
Esta crónica é dedicada às crianças (são crianças), nas pessoas dos pequenitos Mohamed Al- Matour e Mahmoud Ajjour.

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Albino Bárbara

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