Sociedade

PS mais agressivo com Chaves Monteiro na Câmara da Guarda

Escrito por Luís Martins

O “verniz” estalou na última reunião de Câmara da Guarda, realizada na segunda-feira em Gonçalo. O socialista Eduardo Brito assinalou o momento em que Carlos Chaves Monteiro passou «de provisório a efetivo» na presidência do município com a eleição de Álvaro Amaro como eurodeputado e Pedro Fonseca partiu ao ataque.

Numa inesperada intervenção agressiva, o vereador do PS quis saber como estavam as negociações pela reabertura da Confama, a continuidade da Dura Automotive e o ponto da situação sobre a Serralã. Pedro Fonseca perguntou também como estava a candidatura do cobertor de papa de Maçaínhas a património imaterial a necessitar de salvaguarda urgente. Já Eduardo Brito constatou que na primeira reunião desconcentrada do executivo não houve «uma palavra sobre o mundo rural e a desertificação das aldeias» por parte do edil. Sobre esta matéria o presidente respondeu que a Câmara gasta «milhares de euros nos caminhos rurais, em acordos de cooperação e de execução com as Juntas e mais de sete milhões de euros no saneamento básico nas aldeias».
A resposta não satisfez a oposição, que no final da sessão, em declarações aos jornalistas, desfiou críticas ao sucessor de Álvaro Amaro. «O novo presidente estará na fase da afirmação, houve alguma falta de respostas e um excesso de autoritarismo na condução desta reunião, isso é crise de confiança», considerou Eduardo Brito, que admitiu que, «com o tempo», Carlos Chaves Monteiro «acabará por melhorar nesta dialética». Mais cáustico foi Pedro Fonseca: «Nesta reunião ficou claro que há um problema e um sintoma: Chaves Monteiro não foi eleito presidente e não está preparado para o exercício da função», disse. O eleito socialista acrescentou que «esta falta de preparação assusta-me» e justificou o tom mais vivo da reunião como sendo «de indignação pela falta de respostas e não agressividade».
Confrontado com estas acusações, o edil guardense contra-atacou dizendo que a oposição revela «um «desconhecimento marcante» sobre a atividade do município e usou uma adjetivação «triste e vergonhosa». Para Chaves Monteiro, esta atitude dos socialistas demonstra «nervosismo e desconhecimento do território» e também «alguma instabilidade emocional e política». E acrescentou que «a política não pode ser feita a meio tempo e não se pode apenas vir às reuniões de Câmara e debitar declarações bombásticas à comunicação social de quinze em quinze dias». De resto, o presidente recordou que os vereadores do PS aprovaram «por unanimidade quase todos os pontos da ordem de trabalhos, o que disse ser «sinal que estamos a fazer bem». Pelo que Chaves Monteiro apelou aos guardenses para que «confiem neste executivo, que no tempo exato vai demonstrar que quem está em condições de governar com responsabilidade somos nós e não o PS».

Isenção de taxas de esplanadas para atrair pessoas ao centro da cidade

A Câmara da Guarda decidiu, por unanimidade, isentar das taxas de esplanadas os donos de cafés e “snack-bares” que estiverem abertos aos fins de semana.
O objetivo é «atrair pessoas» ao centro da cidade, sendo «fundamental que estes estabelecimentos estejam abertos aos sábados e domingos», justificou Carlos Chaves Monteiro. O presidente do município adiantou que atualmente a Câmara encaixa cerca de 13 mil euros em taxas desta natureza e que poderá deixar de receber metade se a isenção foi solicitada pelos empresários. «Achamos que com esta ajuda eles podem arriscar mais com esta ajuda e acreditamos que vamos ter o máximo sucesso com esta medida na atratividade ao centro histórico da Guarda». O executivo aprovou, também por unanimidade, a declaração de projeto de interesse municipal para uma unidade de turismo rural a criar em Videmonte, que assim beneficiará da isenção de taxas. O investimento privado ronda os 1,2 milhões de euros e vai criar seis postos de trabalho.
Em Gonçalo, considerada a “capital da cestaria de verga”, a autarquia mostrou-se disponível para participar no processo de criação de um Centro para a Promoção e Valorização desta arte tradicional. A garantia foi deixada pelo presidente do município: «Se o Governo estiver disposto a articular uma solução, a Câmara será também parte dela e naquilo que for a necessidade de intervir com recursos financeiros e com meios humanos. Estaremos com certeza na primeira linha», afirmou Carlos Chaves Monteiro. O assunto foi apresentado no período de antes da ordem do dia pelo atual presidente da Assembleia de Freguesia e antigo presidente de Junta. Pedro Pires recomendou ao executivo que tenha «um especial cuidado com o tratamento que tem de ser dado ao Centro para a Promoção e Valorização da Cestaria de Gonçalo».
O eleito disse que «urge por em marcha» o processo para que se possa «salvaguardar a arte tradicional da cestaria de Gonçalo» e sugeriu que o município possa candidatar a cestaria a património imaterial da Humanidade, no âmbito da candidatura da Guarda a Capital Europeia da Cultura em 2027. No ano passado, a Assembleia da República recomendou ao Governo que avalie, em colaboração com as autarquias locais, a possibilidade de criação daquele Centro para a Promoção e Valorização da Cestaria de Gonçalo. Ainda no período de antes da ordem do dia, um residente na vila pediu a instalação de saneamento básico na Rua do Pomar, junto ao Centro Educativo local, para beneficiar cinco casas. A resposta veio do presidente da Junta, António Esteves, que revelou que o respetivo projeto está integrado «num processo de candidatura e o problema está a ser resolvido».

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