Sociedade

Câmara da Guarda vai reabilitar casas no centro histórico para estudantes

Escrito por Luís Martins

Fundo imobiliário municipal será criado em 2020 e destina-se à aquisição e requalificação de imóveis devolutos na zona antiga para serem destinados a residências e ao arrendamento jovem

O presidente da Câmara da Guarda anunciou a criação de um fundo imobiliário municipal para reabilitar casas no centro histórico para serem transformadas em residências de estudantes e para arrendamento jovem. A medida foi revelada por Carlos Chaves Monteiro na sessão solene de abertura do ano académico do Instituto Politécnico, realizada na terça-feira.
O autarca voltou a ser confrontado com a falta de camas na cidade para os estudantes e foi mesmo desafiado pelo presidente do IPG, Joaquim Brigas, a apoiar a instituição a resolver «a falta de uma residência, que nos tolhe e limita o dinamismo». Na resposta, o presidente do município assumiu querer contribuir para «dar resposta a um problema e termos mais gente» no Politécnico. «Este ano o IPG conseguiu captar mais de 800 novos alunos graças à sua dinâmica e condições, mas queremos mais», disse Carlos Chaves Monteiro, segundo o qual o objetivo é disponibilizar casas no centro histórico. Para tal, a autarquia vai recorrer a uma linha de crédito para aquisição e reabilitação de imóveis devolutos naquela zona que serão posteriormente disponibilizados a estudantes e jovens. Alguns desses espaços serão também aproveitados para criar galerias de arte e espaços de criação artística.
«Com este fundo fazemos requalificação e fazemos regressar pessoas ao centro histórico», disse a O INTERIOR o edil. A Câmara já tem cerca de dez casas sinalizadas «numa primeira fase» e o passo seguinte, que será dado em 2020, é recorrer à banca para financiar a operação com taxas bonificadas. «São de 100 por cento na reabilitação e de 85 por cento na aquisição de imóveis. A nossa estimativa aponta para um financiamento de um milhão de euros», acrescentou Carlos Chaves Monteiro. A abertura do ano académico ficou também marcada pela assinatura de um protocolo entre o IPG e a Escola Nacional de Bombeiros (ENB) para formar os voluntários e demais operacionais em “Média e Proteção Civil”. Para Joaquim Brigas, esta pós-graduação «inédita» vai preparar os bombeiros e agentes da proteção civil para «responderem às expetativas da população ao comunicarem eficazmente perante situações de crise». A formação terá a duração de dois semestres e vai começar no início de 2020.
No seu discurso, o presidente do Politécnico elencou as parcerias e pós-graduações estabelecidas com empresas e instituições da região neste primeiro ano de mandato. «Estamos a trabalhar numa lógica de crescimento do Instituto através da disponibilização da ciência ao serviço da comunidade e com isso contribuir para o desenvolvimento da região. O IPG é um dos motores deste desenvolvimento e quer sê-lo cada vez mais multiplicando a sua oferta formativa», disse Joaquim Brigas. Por sua vez, João Nunes, presidente da Associação Académica da Guarda, enalteceu a redução «em 80 euros» das propinas e voltou a perguntar «se a cidade quer os estudantes» e se está «preparada para ser tolerante». O dirigente considerou ainda «urgente» a requalificação da sede da associação. A cerimónia contou com a presença da secretária de Estado da Administração Interna, Patrícia Gaspar.

Sobre o autor

Luís Martins

Deixar uma resposta