Região

Que estratégias para atrair turistas?

Escrito por Jornal O Interior

Quais são os trunfos e as estratégias de alguns dos municípios da região para atrair visitantes e dinamizar o setor do turismo nos seus territórios? Os autarcas de Almeida, Figueira de Castelo Rodrigo, Pinhel, Trancoso e Vila Nova de Foz Côa respondem.

António Machado, presidente da Câmara de Almeida

«A nossa estratégia está implementada há muito anos. Temos cultura, património, História, natureza e estamos situados num território transfronteiriço.
Almeida criou com Ciudad Rodrigo o consórcio de cidades amuralhados com o qual temos participados nas principais feiras de turismo para mostrar o que de melhor temos. A recém-criada Rota Equestre Napoleónica é mais um veículo para atrair turistas. O município integra também, com Valença, Marvão e Elvas, a candidatura das Fortalezas Abaluartadas da Raia a Património da Humanidade. Acreditamos que unidos pelo sistema defensivo que está na fronteira da raia ibérica teremos todas as condições para podermos almejar esse galardão. De resto, este projeto está aberto ao território espanhol, porque todas as nossas fortalezas têm o seu par do outro lado da fronteira, o que reforça ainda mais a nossa candidatura. Além destas ações, Almeida tem como atrativos a praça-forte, palco de uma recriação anual do cerco pelas tropas napoleónicas, o picadeiro, o Museu Histórico-Militar e temos investido noutras temáticas, como o judaísmo e na fronteira com o projeto “Vilar Formoso – Fronteira de Paz”. O objetivo é termos vários produtos para atrair mais visitantes – que são cada vez mais – e fazer com que fiquem mais tempo no território».

Amílcar Salvador, presidente da Câmara de Trancoso

«A nossa aposta de turismo passa por valorizar o nosso património histórico, arquitetónico e ambiental.
A nível histórico as Portas D’El Rey, as muralhas medievais, o castelo, assim como as igrejas, fazem parte da lista de locais de interesse singulares na região. Da mesma forma as nossas paisagens e tranquilidade são elementos positivos do munícipio, valorizados pela qualidade dos acessos rodoviários que possuímos. Entre as nossas grandes valências estão também os eventos, abundantes em qualidade e quantidade, que durante praticamente todo o ano atraem turistas à cidade. Temos a recriação da batalha de Trancoso, as Bodas Reais, o festival de música no castelo, a Feira de São Bartolomeu, além de outros eventos programados, como o próximo jantar de gala dos vinhos da Beira Interior, que contribuem para o desenvolvimento do sector turístico no município. Trancoso foi o concelho que mais cresceu em termos de dormidas entre 2016 e 2017 na região, com um aumento de 38,3 por cento. Para esse crescimento também contribuíram os nossos empresários, a nossa gastronomia tradicional e os vinhos de Vila Franca das Naves».

Rui Ventura, presidente da Câmara de Pinhel

«Pinhel divulga o território como destino de várias experiências, que vão do turismo de natureza ao turismo cultural, passando pelos vinhos, a gastronomia e o património histórico e arquitetónico. Nunca é demais lembrar que somos a cidade portuguesa com mais solares por metro quadrado fruto da sua importância histórica no passado. Apostamos também em eventos de grande notoriedade como a Feira das Tradições, que é o maior certame de Inverno na região e que acontece no fim de semana do Carnaval, a feira medieval, que este ano será de 31 de maio a 2 de junho, e o certame “Beira Interior Vinhos & Sabores, em novembro. Todos eles trazem milhares de visitantes à cidade e ao concelho. Nos últimos anos não temos descurado a participação nas principais feiras de turismo de Portugal e Espanha para promover os nossos vinhos, a doçaria, com destaque para as cavacas, e outros produtos endógenos de qualidade, a par da divulgação do território concelhio. Pinhel tem ainda, em Cidadelhe, a porta sul do Parque Arqueológico do Vale do Côa com notáveis e bem preservadas gravuras rupestres».

Paulo Langrouva, presidente da Câmara de Figueira de Castelo Rodrigo

«O concelho de Figueira de Castelo Rodrigo tem vindo a apostar em três áreas fundamentais de dinamização do turismo: património natural, cultural e gastronomia. Estes três eixos, em conjunto, configuram aquilo que é a dinâmica do território e do turismo a ele associado. No património, temos vários momunentos nacionais de interesse e na gastronomia, além dos pratos tradicionais, temos vinhos de excelência, em especial os brancos da casta síria. No património cultural temos apostado fortemente em eventos diversificados, da recriação da Batalha da Salgadela aos encontros com a história e também a concertos de música clássica nas igrejas. Há ainda locais de interesse como o Centro de Interpretação da Batalha de Castelo Rodrigo, o Centro Judaico e a Torre de Almofala. Tudo isto aliado à Plataforma de Ciência Aberta, projecto pioneiro que liga a educação, a ciência e a cultura através de uma parceria com a Universidade de Leiden (Holanda). Outro potencial de Figueira de Castelo Rodrigo é a ligação ao rio Douro, que temos vindo a aproveitar de forma exaustiva. Estamos até a tentar incluir nos pacotes turísticos do Douro o projeto da Ciência Aberta para que seja possível fazer sessões de observação de astronomia, após o passeio de barco, acompanhadas da degustação de produtos locais, potenciando a economia local»

Gustavo Duarte, presidente da Câmara de Vila Nova de Foz Côa

«Não me canso de sublinhar que Vila Nova de Foz Côa é o único concelho do país com dois patrimónios mundiais da UNESCO, o Alto Douro Vinhateiro e as gravuras rupestres. Assim, a nossa estratégia de turismo passa por dinamizar estes territórios de grande riqueza cultural e paisagística. Queremos, sobretudo, proporcionar aos turistas que nos procuram a possibilidade de explorar as potencialidades do turismo de natureza e aliar este aos nossos recursos endógenos como o vinho, a amêndoa e o xisto. Uma ação muito importante para a valorização do território é a integração do Museu do Côa na rede de Centros Ciência Viva, que nos permite trazer mais escolas a visitar e explorar as nossas valências geográficas. Brevemente iremos também dar início ao projeto dos passadiços do Côa, que irá permitir o acesso às gravuras rupestres. Estamos apenas a aguardar a aprovação das entidades competentes e esperamos que no fim do mês esteja o concurso para estar concluída no próximo ano. Para divulgar e promover estas potencialidades de Vila Nova de Foz Côa vamos participar em mais feiras no país e estrangeiro. Esperamos que tudo isto possa contribuir para a consolidação do aumento do fluxo turístico no município, que tem sido gradual, mas sustentável»

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