Região

Lítio atrai australianos para o distrito da Guarda

Escrito por Luís Martins

O quarto maior produtor mundial de minério de ferro requereu direitos de prospeção em áreas identificadas com potencial de exploração de lítio, entre outros minerais

A Fortescue Metals Group Exploration, a quarta maior produtora global de minério de ferro, requereu a atribuição «de direitos de prospeção» em várias áreas do país, nomeadamente no distrito da Guarda.
A multinacional australiana está interessada em áreas identificadas com potencial para a exploração de lítio, tendo sido publicados no último mês, no “Diário da República”, dois avisos a dar conta de que a empresa mineira requereu a atribuição «de direitos de prospeção e pesquisa de depósitos minerais de ouro, prata, chumbo, zinco, cobre, lítio, tungsténio, estanho e outros depósitos minerais ferrosos e minerais metálicos associados». Estes anúncios visam as áreas denominadas “Calvo”, que abrange os concelhos de Almeida, Pinhel e Figueira de Castelo Rodrigo, e “Nave” (Guarda, Almeida e Sabugal). Além destes sítios, a Forestcue Metals Group também quer fazer a prospeção em zonas dos concelhos de Idanha-a-Nova, Braga, Melgaço e Vieira do Minho, entre outros, num total de mais de 1.100 quilómetros quadrados de área a pesquisar. Este ano, já foram entregues na Direção-Geral de Energia e Geologia 22 pedidos de autorização, confirmou o secretário de Estado da Energia, João Galamba, ao jornal “Público”.
A procura é tanta que o deputado Santinho Pacheco (PS) já questionou o Governo sobre o ponto da situação sobre os concursos públicos para exploração de lítio no interior do país. Numa pergunta dirigida ao ministro do Ambiente e da Transição Energética, Matos Fernandes, o eleito pelo círculo da Guarda quer saber, nomeadamente, «qual o contributo que a exploração e processamento do lítio pode ter para a economia do interior do país e dos territórios de baixa densidade, como é o caso do distrito da Guarda». Santinho Pacheco lembra que foram identificadas no centro-norte do país «várias zonas com potencial para a prospeção de lítio e o distrito da Guarda aparece como a mais promissora, destacando-se os concelhos da Guarda, Figueira de Castelo Rodrigo, Vila Nova de Foz Côa, Pinhel e Sabugal». O deputado interroga também se «há ou não riscos ambientais associados a esta atividade mineira», adiantando que serão realizados concursos públicos para selecionar as empresas e dar resposta ao elevado número de licenças que estavam a ser pedidas por empresas estrangeiras.
«Há quem queira investir centenas de milhares de euros na construção de uma fábrica de processamento de compostos de lítio com início de produção previsto para 2021. O lítio pode assim dar um enorme impulso à economia da região da Guarda, criar postos de trabalho, fixar populações», sublinha Santinho Pacheco no requerimento parlamentar.

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