A posição assumida pela Assembleia Municipal da Guarda e pelo Conselho Geral do Instituto Politécnico da Guarda, órgãos democraticamente legitimados, expressa uma convicção clara: o ensino superior é determinante para o futuro dos territórios de baixa densidade, e o IPG constitui um pilar essencial do desenvolvimento regional e da coesão nacional.
Num sistema em que a oferta de ensino superior supera a procura há vários anos, o aumento indiferenciado de vagas não é um ato técnico neutro. É uma decisão política com efeitos previsíveis: reforça a concentração da procura nas áreas metropolitanas, acelera a perda de massa crítica no Interior e contraria compromissos europeus assumidos por Portugal em matéria de coesão territorial e combate às assimetrias regionais.
A moção aprovada por unanimidade no Conselho Geral do IPG reforça esta leitura. A convergência entre docentes, estudantes e membros externos afasta interpretações corporativas e coloca o debate no plano certo: o do modelo de governação do sistema de ensino superior e dos seus impactos territoriais. Regras uniformes aplicadas a realidades estruturalmente desiguais não promovem justiça; perpetuam desigualdades e fragilizam a credibilidade da política pública.
As preocupações da Guarda são partilhadas por outros territórios do Interior, como Vila Real, Castelo Branco ou Covilhã, que têm sublinhado o papel das instituições de ensino superior como âncoras de desenvolvimento, motores de inovação, emprego qualificado e fixação de jovens. Enfraquecer estas instituições é aprofundar as desigualdades que o país afirma querer combater.
As instituições do Interior demonstram qualidade, ambição e capacidade de afirmação. O IPG é hoje uma instituição madura, competitiva e plenamente internacionalizada: lidera projetos europeus, integra redes académicas de excelência, é membro de pleno direito da aliança UNITA – Universitas Montium, dispõe de centros de investigação e doutoramentos aprovados e conta com uma comunidade académica reconhecida internacionalmente. Este percurso resulta de estratégia, mérito e ligação ao território, não de proteção administrativa.
As instituições de ensino superior não resolvem sozinhas os desafios do Interior, mas são peças decisivas para mobilizar conhecimento, atrair talento e criar capacidade instalada. Sem políticas públicas que reconheçam e valorizem este papel, nenhum território de baixa densidade consegue projetar o seu futuro de forma sustentável.
A Guarda tem sido coerente e responsável na defesa do seu desenvolvimento. O que se exige ao Estado é a mesma coerência: alinhar decisões internas com os compromissos que assume na Europa e tratar a coesão territorial como política efetiva, não como retórica.
Afirmar o IPG é afirmar a Guarda.
* Presidente do Instituto Politécnico da Guarda (IPG)


