Sociedade

Houve «de facto um erro» na divulgação do estudo do IPG

Escrito por Sofia Craveiro

No domingo o Politécnico da Guarda divulgou os resultados de um diagnóstico feito às habitações da região segundo o qual «cerca de um terço dos habitantes das Beiras e Serra da Estrela vivem em condições indignas». A CIM e os autarcas da região contestam estes números e mostram-se revoltados pela divulgação das conclusões sem a sua validação.

Esta terça-feira à tarde estava agendado um seminário no Instituto Politécnico da Guarda (IPG) que previa o esclarecimento de autarcas e público sobre as políticas governamentais de apoio às famílias com carências habitacionais. Em destaque estavam os programas de apoio “1º Direito” e “Porta de Entrada” que seriam abordados por Ana Cruz, do Instituto da Habitação e Reabilitação Urbana (IHRU), – entidade que promove os referidos programas – contudo, a sessão acabou por ficar marcada pela contestação dos autarcas ao estudo divulgado pelo IPG.

A polémica estalou no passado domingo, quando o Politécnico fez chegar às redações um comunicado relativo a conclusões de um diagnóstico levado a cabo em parceria com as autarquias da região. Nessa nota lia-se que «o número de famílias que vivem situações de grave carência habitacional na região das Beiras e Serra da Estrela ultrapassa os 30 por cento, segundo estudos desenvolvidos por investigadores em Projetos de Investigação promovidos na Unidade de Investigação do Desenvolvimento do Interior do Instituto Politécnico da Guarda». Era ainda referido que «o diagnóstico surge através de uma prestação de serviços que está a ser realizada por professores e estudantes do IPG integrados no processo de ensino-aprendizagem desenvolvido nos TESP, licenciaturas e mestrados».
Durante a sessão no IPG, o primeiro a contestar estas conclusões foi Esmeraldo Carvalhinho. Para o presidente da Câmara de Manteigas, «os resultados foram extrapolados indevidamente». O autarca mostrou-se indignado relativamente à implicação do município a que preside no estudo, afirmando que «há, por vezes, imprecisões» que levam a que «casebres e edifícios desabitados há várias décadas» sejam considerados habitações precárias. Esmeraldo Carvalhinho frisou ainda o «descontentamento generalizado» entre os autarcas da Comunidade Intermunicipal Beiras e Serra da Estrela perante a informação divulgada pelo Politécnico. A contestação foi confirmada por Luís Tadeu, presidente da CIMBSE: «Enquanto autarcas, que estamos a trabalhar para o bem-estar das nossas populações, não nos podemos sentir bem pela forma como a notícia veio ao ar», disse o também edil de Gouveia.

A par destas críticas, a CIMBSE emitiu um comunicado momentos após o final da sessão no IPG para reforçar a «indignação» desta entidade perante os resultados do estudo, classificados como «uma conclusão destituída de qualquer validade». O documento sublinhava que «o alegado estudo incidiu num único município, o que torna estranha a extrapolação dos dados para o conjunto do território de quinze municípios que compõem a CIMBSE».

Perante a contestação dos autarcas, Joaquim Brigas, presidente do IPG, fez menção, no fim da sessão, aos polos do Centro de Estudos População Economia e Sociedade e do Observatório dos Estudos Socieoeconómicos, que estão sediados no IPG através de protocolos, e afirmou que há «várias investigações em curso» no âmbito dessas unidades. A O INTERIOR, o responsável esclareceu que houve «de facto um erro» no comunicado divulgado, sendo o estudo relativo ao território do distrito da Guarda e não às Beiras e Serra da Estrela (conforme divulgado inicialmente). Relativamente à acusação de que os números de habitações indignas foram extrapolados, Joaquim Brigas esclarece que esse critério é «muito abrangente» e tem a ver com «o que está especificado na lei», podendo dizer respeito a fatores isolados como a falta de conforto térmico ou acessibilidade. Apesar disso, o presidente do Politécnico referiu que o estudo ainda está a decorrer e abrange outras áreas «como a pobreza, o acompanhamento de crianças e jovens, deficiência». «A realidade é muito preocupante, mas o principal objetivo do estudo é que se coloque o foco sobre problemas reais, que existem – não adianta dizer que não existem ou tentar escondê-los debaixo do tapete», considerou ainda o responsável.

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