Sociedade

Câmara da Guarda delega na CIMBSE resolução da carreira da Viúva Monteiro

Escrito por Luís Martins

Autarquia pagou cerca de 20 mil euros relativos aos passes escolares na semana passada, mas continua a recusar qualquer compensação por défice de exploração do circuito entre o Sabugal e a Guarda.

A Câmara da Guarda pagou na semana passada 20.384 euros à Viúva Monteiro & Filhos, Lda., um montante relativo aos passes escolares, e continua a efetuar o transporte de passageiros até ao limite do concelho até que seja encontrada uma solução para colmatar a suspensão decretada pela empresa Viúva Monteiro & Filhos, Lda.
A transportadora do Sabugal cessou a carreira diária para a Guarda no passado dia 5 invocando «prejuízos constantes» na exploração deste circuito interurbano. Ana Luísa Monteiro, administradora da empresa, confirma que alertou o município para a situação e que pediu «uma compensação por obrigação de serviço público à Câmara, com as respetivas justificações financeiras», para evitar a interrupção desta carreira, que «é ainda mais deficitária no período de férias escolares». Mas a autarquia não acedeu e os autocarros deixaram de ligar as duas cidades. «Queremos ter o mesmo tratamento que a autarquia da Guarda tem dado à Transdev, à qual tem pago subsídios pela exploração deficitária da rede de transportes. Não é mais do que isso», esclarece Ana Luísa Monteiro, que reitera que a Viúva Monteiro é «uma PME que presta um serviço público», mas que este serviço está «a por em risco a sustentabilidade económica da empresa».
A responsável adiantou a O INTERIOR que a compensação solicitada ao município ultrapassa os 178 mil euros. Entretanto, a Câmara da Guarda pagou 20.384 euros dos passes escolares, mas este valor não corresponderá à dívida que a edilidade tinha para com a transportadora, «que ronda os 24 mil euros», refere Ana Luísa Monteiro. «A diferença deve-se a uma alteração realizada aos itinerários das carreiras escolares para que se adequassem melhor aos horários das crianças, uma mudança que não foi considerada nas contas da autarquia», considera a administradora da Viúva Monteiro. Quem não reagiu bem a esta tomada de posição foi o presidente da Câmara. «Esta exigência de uma compensação por um serviço pelo qual não temos qualquer contrato com essa empresa é uma tentativa de pressão à qual não podemos ceder», disse Carlos Chaves Monteiro no final da reunião do executivo municipal, na segunda-feira.
Além do mais, o autarca acrescenta que o município e as demais autarquias da região delegaram na Comunidade Intermunicipal das Beiras e Serra da Estrela a gestão dos transportes intermunicipais, «logo já não somos nós a tratar desse assunto». De resto, o edil guardense levou o caso à reunião do Conselho Intermunicipal da CIMBSE desta terça-feira e já solicitou um pedido de esclarecimento à Secretaria de Estado dos Transportes. «A Câmara da Guarda valoriza as empresas da região, mas não pode ser a sua financiadora», afirma Carlos Chaves Monteiro, adiantando que a Viúva Monteiro «tem que justificar devidamente o valor reclamado». O presidente da Câmara esclarece também que a exploração da carreira Sabugal-Guarda resulta de um pedido de concessão da empresa junto do Instituto da Mobilidade e dos Transportes Terrestres (IMTT). «Nada tem a ver connosco», sublinha. Uma reunião entre as partes estava agendada para esta quarta-feira, após o fecho desta edição, para encontrar uma solução para o problema.

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