Região

Uma rota equestre pela história da raia

Escrito por Luís Martins

Percurso de quase 200 quilómetros ligará a Sierra de Gata (Cáceres) à Guarda seguindo pelos caminhos das Invasões Francesas

O turismo equestre é o «parente pobre» do turismo em Portugal e a Rota Equestre Napoleónica, traçada entre a zona norte de Cáceres (Extremadura) e a Guarda, pode ser um bom contributo para desenvolver este setor. Essa é a convicção dos promotores do projeto apresentado no domingo na Feira Ibérica de Turismo, que decorreu na cidade mais alta.
A ideia foi do guardense Paulo Cerca, que pegou num roteiro de 1748 e no mapa da Península Ibérica de Tomás Lopes datado de 1778 para traçar um percurso que parte da Sierra de Gata, ruma a Ciudad Rodrigo, chega a Almeida e termina na Guarda. O objetivo é levar os cavaleiros pelos caminhos usados pelas tropas francesas e luso-inglesas e pelos locais onde ocorreram algumas das principais batalhas das Invasões Francesas neste território transfronteiriço. A rota é organizada pela Organização Mundial de Turismo Equestre (OMTE) e pela Associação Nacional do Turismo Equestre (ANTE), com o apoio dos municípios de Almeida e da Guarda, bem como da Diputación de Salamanca e do Turismo de Castilla y León. Os parceiros assinaram um protocolo com vista à concretização desta rota.
Na apresentação do trajeto, José Veiga Maltez, presidente da Câmara da Golegã e da ANTE, defendeu que é preciso «apostar no parente pobre do turismo», pois Portugal tem «infraestruturas e equipamentos de qualidade, só precisamos é de um McNamara do turismo equestre para extrapolar os nossos recursos no mercado europeu e norte-americano». Já os autarcas António Machado (Almeida) e Carlos Chaves Monteiro (Guarda) foram unânimes em considerar a rota como «mais um importante recurso» de promoção do território e do seu património. «É um projeto que nos diferencia», sublinhou o edil guardense, enquanto o presidente almeidense acrescentou tratar-se de «um projeto importante para o desenvolvimento do território».
Por sua vez, José Sererols i Ciutat, presidente da OMTE, congratulou-se com esta iniciativa. «Temos aqui uma rota fantástica», afirmou na sua intervenção, reconhecendo que, para a OMTE, Portugal «praticamente não existia no turismo equestre porque sempre nos dedicamos mais à América Latina e aos Estados Unidos». Nesta apresentação o trajeto do lado português foi contextualizado por Fernando Carvalho Rodrigues, que revelou alguns dos pormenores históricos de um percurso usado há 2.000 anos «pela 7ª legião romana». Irónico, o cientista acrescentou tratar-se ainda da rota do Reino de Leão, «que devia voltar se quisermos povoar este território».

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