Região

Geopark Estrela estende-se por 2.216 quilómetros

Escrito por Sofia Craveiro

Cinco anos após a preparação da candidatura, a Serra da Estrela viu aprovado o processo que dá início à obtenção da classificação de Geopark Mundial da UNESCO. Após este passo faltará apenas o parecer do Conselho Executivo da agência das Nações Unidas.

A decisão de aprovação da candidatura da Serra da Estrela a Geopark Mundial da UNESCO foi divulgada na terça-feira pela Associação Geopark Estrela. Depois da aprovação, obtida em reunião – que decorreu entre sábado e segunda-feira na Indonésia – resta agora aguardar o parecer do Conselho Executivo da agência das Nações Unidas para oficializar a classificação. Preparada inicialmente em 2014, a candidatura avançou em 2017 com a entrega do dossier à UNESCO por parte da Associação Geopark Estrela (AGE). 

Mas qual a área que será abrangida nesta classificação?

A Serra da Estrela será o quinto Geopark de Portugal e irá incluir a parte ou totalidade dos municípios de Belmonte, Celorico da Beira, Covilhã, Fornos de Algodres, Gouveia, Guarda, Manteigas, Oliveira do Hospital e Seia. São 2.216 quilómetros quadrados de «paisagem diversificada», com território urbano, rural e natural. As valências desta região residem nas transformações geológicas, contrastes climáticos e ocupação humana milenar, que o Geopark pretende agora colocar «ao serviço dos residentes». No processo de candidatura foram inventariados geossítios como o Vale Glaciar do Zêzere, as Minas da Panasqueira ou a Lagoa Comprida, entre os mais de 90 locais e elementos únicos e diferenciadores da Serra da Estrela.
Os grandes objetivos de dinamização do território estão relacionados com a investigação, educação e formação, pontos que se relacionam com o turismo geológico.

A UNESCO define um Geopark como «áreas geográficas únicas, de limites definidos, onde os locais e paisagens de interesse geológico internacional são geridos num conceito holístico de proteção, educação e desenvolvimento sustentável». É ainda incluída a noção de que «utiliza a herança geológica em conexão com a herança cultural» aumentando a consciência para a preservação e «dando à população local um sentimento de orgulho na região». A criação de empresas locais inovadoras, novos postos de trabalho e formações especializadas são também apontados pela UNESCO como pontos relevantes gerados pelo geoturismo destes locais. Até ao momento há 147 Geoparks UNESCO, distribuídos por 41 países, segundo a página de Internet desta entidade.

As reações ao novo Geopark:

Primeiro-ministro saúda escolha da Serra da Estrela para Geopark da UNESCO

António Costa saudou a escolha da Serra da Estrela para Geopark Mundial da UNESCO, afirmando que o «património natural é um ativo estratégico» de Portugal.
«Portugal é um país rico em biodiversidade e hoje [terça-feira] foi, mais uma vez, distinguido como um país detentor de um património geológico único no mundo. A Serra da Estrela acaba de ser considerada Geopark Mundial pela UNESCO. O património natural é um ativo estratégico do nosso país», escreveu o primeiro-ministro na sua conta da rede social Twitter.

Para Chaves Monteiro Geopark é «grande alavanca» para desenvolvimento do território

O presidente da Câmara Municipal da Guarda admite que a classificação da Serra da Estrela como Geopark da UNESCO é uma «grande alavanca» para o desenvolvimento de uma região que tem «alguns problemas, mas também tem potencialidades como esta candidatura e a aprovação através da UNESCO o demonstraram».
Carlos Chaves Monteiro disse ter recebido a notícia com «muita satisfação» e acrescenta que a decisão é «o corolário» do trabalho desenvolvido pelos diversos municípios envolvidos. «Esta candidatura vem reforçar a Serra da Estrela como marca em termos nacionais, mas também em termos internacionais. A UNESCO reconhece desta forma a nossa riqueza geológica», referiu o edil da cidade mais alta, adiantando que a Quinta da Taberna é «um dos principais ícones da geologia natural» do concelho. «A Serra da Estrela é o eixo fundamental que pode promover o desenvolvimento do território e alavancar outros projetos que os municípios estão a dinamizar, caso dos Passadiços do Mondego, na Guarda», sublinhou o autarca.
Na hora da vitória, Carlos Chaves Monteiro fez questão de recordar que o município da sede do distrito esteve «sempre na primeira linha e assumiu até esta data integralmente aquilo que foram os seus compromissos, o que ajudou muito a suportar os custos de pessoal, mas também de toda a candidatura».

Geopark é «instrumento valioso» para a promoção do território, diz Esmeraldo Carvalhinho

Esmeraldo Carvalhinho afirma que a aprovação da Serra da Estrela como Geopark da UNESCO é «um instrumento valioso» para a valorização e promoção do território.
«Recebi a notícia com uma enorme satisfação. Aliás, já era esperado que a candidatura fosse aprovada, reconhecendo a importância deste território ao nível científico e turístico no que diz respeito aos aspetos geológicos», adiantou o presidente da Câmara de Manteigas. O edil recorda que o seu concelho, também conhecido como o “coração” da Serra da Estrela, está totalmente inserido na área do Parque Natural e possui «a maior parte dos geossítios» identificados no Geopark e «os mais relevantes a nível local, regional e internacional», caso do Vale Glaciar do Zêzere.

CIMBSE regozija-se com estatuto Geopark

O presidente da Comunidade Intermunicipal das Beiras e Serra da Estrela (CIMBSE) considera que a aprovação da candidatura da Serra da Estrela a Geopark Mundial da UNESCO é «um dia importante» para a região por culminar «uma luta de quatro anos».
«Este reconhecimento é uma ferramenta que é colocada ao dispor das entidades locais, numa zona onde o problema maior continua a ser o envelhecimento e o despovoamento da população. É também um prémio internacional atribuído à Serra da Estrela, numa candidatura muito bem elaborada», afirma Carlos Filipe Camelo. Nesse sentido, o também autarca de Seia destacou o trabalho realizado pela Associação Geopark Estrela e pelo seu coordenador executivo, Emanuel de Castro.

Geopark será fator de desenvolvimento, afirma Vítor Pereira

A Serra da Estrela ser um Geopark da UNESCO é uma «conquista extraordinária» para a região, destaca o presidente da Câmara da Covilhã.
«É também o reconhecimento da importância que tem este território. Quando tanto falamos em interioridade, esta é uma boa notícia, é um fator de desenvolvimento territorial. É um instrumento diferenciador, que vem potenciar o nosso território e as nossas gentes e, por isso mesmo, um motivo de orgulho e regozijo», considera Vítor Pereira. O edil lembra que a Covilhã empenhou-se «fortemente» nesta candidatura dada a «importância económica, social, cultural e de valorização do património natural e histórico» que representa. «Será certamente um fator de desenvolvimento social, cultural, histórico, ambiental e até político, já que este é um território que é transversal a vários municípios que estão unanimemente envolvidos neste projeto», destacou Vítor Pereira, segundo o qual esta decisão também «dá força» às questões ligadas à preservação da natureza e do património geológico. «Este é também o momento de destacar o trabalho desenvolvido pela equipa técnica e pelos municípios envolvidos na candidatura, através da Associação Geopark Estrela», concluiu o autarca covilhanense.

Geopark Estrela é «mais um elemento diferenciador» da região Centro, afirma Pedro Machado

O Turismo do Centro de Portugal recebeu com «enorme satisfação» a notícia da aprovação da Serra da Estrela como Geopark da UNESCO.
«Este é um dia muito importante para a região Centro de Portugal, que passa a ter mais um elemento diferenciador reconhecido a nível internacional», disse Pedro Machado, presidente desta entidade. «Foi um trabalho intenso de quatro anos, que obteve agora um justo desfecho», acrescentou o responsável em comunicado, onde elogiou os promotores do projeto. Na sua opinião, a Serra da Estrela é «um território importante para os adeptos do turismo de natureza e do turismo ativo» e que vê agora «aumentar ainda mais a sua atratividade turística, para benefício das populações».

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Sofia Craveiro

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