O verão não termina. As tragédias também não!
Tosse provocada pela cinza. Falta de respiração pelo que vemos. A alma negra. Os olhos embaciados da Perda!
Disse Manuela Borges, no “Público” de 6/9/2025, «…o meu coração não aguenta… Estamos todos desorientados, as pessoas estão traumatizadas, não estão a pensar bem da cabeça…».
Assim estamos no Interior!
Mas eis que sofremos nova “pancada”: 16 mortos e 21 feridos na capital, símbolo de todos nós. Imagens da tragédia nas televisões de todo o mundo.
Atónitos com o sofrimento coramos de vergonha!
Sem desprimor para o nosso Augusto Gil, atrevo-me a rimar:
Será azar? Será incúria?
Competência não é certamente
E o risco não joga assim.
Queda de pontes, assalto a quartéis, incêndios todos os anos, inundações muitas vezes, desmoronamentos, acidentes rodoviários e de trabalho todos os dias e agora, também, o funicular. Da Glória se chamava.
Acidentes ou doença?
Acidentes não são certamente! Um acidente é um acontecimento súbito e anómalo – Inopinado. Não tem o carácter de repetição, continuidade e previsibilidade, de “certeza” (assusta-me dizê-lo) que estes eventos têm Portugal.
Estes acontecimentos são, entre nós, os sintomas de uma doença crónica. Doença social enquanto expressão e alteração do estado normal dos agentes sociais, territoriais e equipamentos públicos e privados. «Condição Perigosa», na terminologia de Henrich.
Condição Perigosa que vem de trás, persiste e vai continuar.
Vai continuar enquanto todos nós acreditarmos mais na cura do que na prevenção.
Acreditarmos mais no “desenrasque” do que na análise e planeamento.
Pensarmos mais no hoje do que no amanhã, e confiarmos mais na intuição do que na razão.
Excesso de emoção e falta de racionalidade!
Mais mando que comando!
Proposta de soluções de curta duração. Quatro governos nos últimos quatro anos. “Pára-arranca” constante.
O que tem acontecido, acontece e vai continuar a acontecer, tem um padrão – ausência de planeamento (diagnóstico; definição de objetivos e prioridades; execução; e avaliação) persistente e sério. Falta Visão.
Falta fazer o necessário.


