Um líder político tem responsabilidades no campo da política, mas também e, sobretudo, no campo social. Deve ter, por isso, particular cuidado com todas as ações praticadas, porque, para o bem e para o mal, a sua conduta será tida como exemplo.
Sabemos que os povos menos instruídos são os mais fáceis de governar, de iludir e enganar, de manipular. A tática de embrutecer a população com “papas e bolos” não é de agora, nem é inocente. A finalidade é evidente e colhe frutos. Apesar do deslumbramento do ganho imediato, quem perde é sempre o povo, o mais pequeno, o mais vulnerável. Perdem as sociedades que, ao se deixarem corromper, condicionam a sustentabilidade do futuro das gerações seguintes.
A exigência que outrora imperava para a escolha dos representantes, passando pela elevada formação, eloquência, estatuto, experiência é agora substituída pelos requisitos mundanos da aparição. Vence quem aparece mais, quem vai a mais festas e, quiçá, quem bebe mais. Estranho caminho evolutivo este que fizemos desde a Grécia Antiga.
Agora, os bobos da corte ganharam palco e protagonismo. Destacam-se pelo barulho que fazem, pelos sons e apupos que emitem quando um adversário do seu líder fala, pela tosse forçada em decibéis quando alguém que não pertence à equipa do seu líder toma posse, pelos aplausos descontrolados e gritos descabidos quando um dos seus pares chega, de alguma forma, perto do poder, pelos risos sarcásticos aquando a passagem de alguém que não seja da sua equipa. A política passa assim a ser o pior do futebol, um reino de brejeirice, onde o bobo da corte se sente feliz e protagoniza, para regozijo do líder bacoco, um espetáculo deprimente.
É triste perceber que, neste teatro grotesco, o discurso se mede em decibéis e não em ideias. Já não se aplaude o argumento bem construído, mas o insulto certeiro; já não se ouve a voz do raciocínio, mas o eco ensurdecedor das claques partidárias.
No entanto, liderar deveria ser o exercício mais nobre da razão e da responsabilidade. Deveria implicar serviço, não proveito; humildade, não arrogância. Um verdadeiro líder não precisa de bobos, mas de cidadãos atentos. Não precisa de aplausos fáceis, mas de consciência tranquila.
Enquanto continuarmos a confundir popularidade com competência, espetáculo com substância, o vazio continuará a governar-nos.
Talvez um dia percebamos que o futuro se constrói com ideias e carácter, não com autopromoção e banha da cobra. Até lá, resta-nos assistir, entre o riso e o desalento, a esta triste comédia humana.


