Opinião de Diana Santos: Bobos da corte

Escrito por Diana Santos

Um líder político tem responsabilidades no campo da política, mas também e, sobretudo, no campo social. Deve ter, por isso, particular cuidado com todas as ações praticadas, porque, para o bem e para o mal, a sua conduta será tida como exemplo.
Sabemos que os povos menos instruídos são os mais fáceis de governar, de iludir e enganar, de manipular. A tática de embrutecer a população com “papas e bolos” não é de agora, nem é inocente. A finalidade é evidente e colhe frutos. Apesar do deslumbramento do ganho imediato, quem perde é sempre o povo, o mais pequeno, o mais vulnerável. Perdem as sociedades que, ao se deixarem corromper, condicionam a sustentabilidade do futuro das gerações seguintes.
A exigência que outrora imperava para a escolha dos representantes, passando pela elevada formação, eloquência, estatuto, experiência é agora substituída pelos requisitos mundanos da aparição. Vence quem aparece mais, quem vai a mais festas e, quiçá, quem bebe mais. Estranho caminho evolutivo este que fizemos desde a Grécia Antiga.
Agora, os bobos da corte ganharam palco e protagonismo. Destacam-se pelo barulho que fazem, pelos sons e apupos que emitem quando um adversário do seu líder fala, pela tosse forçada em decibéis quando alguém que não pertence à equipa do seu líder toma posse, pelos aplausos descontrolados e gritos descabidos quando um dos seus pares chega, de alguma forma, perto do poder, pelos risos sarcásticos aquando a passagem de alguém que não seja da sua equipa. A política passa assim a ser o pior do futebol, um reino de brejeirice, onde o bobo da corte se sente feliz e protagoniza, para regozijo do líder bacoco, um espetáculo deprimente.
É triste perceber que, neste teatro grotesco, o discurso se mede em decibéis e não em ideias. Já não se aplaude o argumento bem construído, mas o insulto certeiro; já não se ouve a voz do raciocínio, mas o eco ensurdecedor das claques partidárias.
No entanto, liderar deveria ser o exercício mais nobre da razão e da responsabilidade. Deveria implicar serviço, não proveito; humildade, não arrogância. Um verdadeiro líder não precisa de bobos, mas de cidadãos atentos. Não precisa de aplausos fáceis, mas de consciência tranquila.
Enquanto continuarmos a confundir popularidade com competência, espetáculo com substância, o vazio continuará a governar-nos.
Talvez um dia percebamos que o futuro se constrói com ideias e carácter, não com autopromoção e banha da cobra. Até lá, resta-nos assistir, entre o riso e o desalento, a esta triste comédia humana.

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Diana Santos

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