O interior merece respeito

Escrito por Diana Santos

Aproximam-se as eleições legislativas e perfilam-se os candidatos a deputados. O círculo eleitoral da Guarda terá apenas três eleitos, querendo isto dizer que temos uma pequena representação na Assembleia da República. Por este motivo, importa que estes três representantes do distrito coloquem a Guarda acima dos seus interesses pessoais e a defendam em qualquer circunstância.
Infelizmente, sabemos que o método utilizado para converter votos em mandatos prejudica os partidos mais pequenos, daí resultando que apenas o Partido Socialista, o Partido Social Democrata e, eventualmente, o partido Chega consigam ter votos suficientes para eleger deputados.
Assim, votar em qualquer outro partido significa, tristemente, desperdiçar o voto. Urge reformular-se este método.
Ao momento a que escrevo, dos partidos que podem eleger deputados, apenas é conhecida a lista da AD – Aliança Democrática e, enquanto cidadã, fico perplexa com a ousadia cruel desta coligação em se escolherem para os lugares cimeiros aqueles que se posicionaram deliberadamente contra a população que os elegeu nas eleições legislativas passadas. Afinal, defender os interesses pessoais e partidários, em detrimento dos interesses da Guarda, acaba por compensar.
Por cá, espero que ninguém se esqueça que a cabeça de lista em questão, eleita deputada há um ano, não hesitou, nem por um segundo, em votar contra a maior luta travada pelo interior: a abolição das portagens.
Para Dulcineia Moura, tal como para o governo da AD (ouçam-se as declarações do ministro Miguel Pinto Luz), deveríamos continuar a pagar portagens e a ser castigados e votados ao isolamento. Que ninguém tenha dúvidas: se a AD conseguir formar governo e reforçar a maioria, os pórticos das autoestradas do interior de Portugal voltarão a cobrar portagens porque, para o PSD, o interior é sempre a última prioridade.
Perante este cenário, é essencial que os cidadãos do distrito da Guarda tenham plena consciência da entrega do seu voto. O interior tem sido sistematicamente esquecido e prejudicado pelos sucessivos governos do PSD e não podemos continuar a permitir que os nossos representantes compactuem com este abandono.
O voto deve ser uma ferramenta de mudança e não uma simples validação de quem nos ignora e prejudica. Se os deputados da AD, em particular Dulcineia Moura, representam o regresso das portagens e a perpetuação do desprezo pelo interior, então a responsabilidade de impedir essa realidade está nas mãos dos eleitores.
É de lamentar e de condenar que os eleitos para defender a população se preocupem apenas com os seus próprios interesses, aproveitando os cargos para benefício pessoal. Ao invés de lutarem pelas necessidades da região, limitam-se a ocupar lugares, a receber os seus salários e a garantir a sua permanência e escalada dentro do aparelho partidário. Este tipo de postura corrói os partidos a que pertencem e mina a confiança na democracia.
O problema do interior, neste momento, não é as portagens porque estas foram, em boa hora, abolidas pelo Partido Socialista.
Os problemas da nossa região são o despovoamento, a falta de investimento, os serviços públicos degradados, uma economia que não recebe o apoio necessário para prosperar, entre muitos outros. Precisamos de deputados que compreendam estas dificuldades e que estejam dispostos a lutar pelo interior com determinação e coerência.
Neste contexto, cabe aos eleitores questionar: quem verdadeiramente representa os interesses da Guarda? Quem estará na Assembleia da República para defender os que aqui vivem, trabalham e lutam por um futuro melhor?
A única alternativa, até para os verdadeiros sociais-democratas da Guarda, que não se reveem nesta falta de compromisso e traição ao interior, é votar no Partido Socialista. O PS é o único partido que pode garantir a defesa da Guarda e de toda a região, colocando os interesses da população acima dos interesses pessoais e partidários. Foi assim nesta legislatura e será, seguramente, na próxima.
O dia das eleições aproxima-se. Que cada voto seja um grito contra a resignação e um passo firme na direção de um interior mais próspero e respeitado.

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Diana Santos

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