Ao mestre (que são ainda alguns)

Escrito por Diogo Cabrita

Como a flor pressente os pés
Da abelha,
Como a areia que o mar afoga,
Como a chuva que rega os campos,
Sei que vou amar as vezes que me falas
Os dias que me criticas, as horas
Que me deste
À procura de me medrar.

Como menosprezar
As vezes gratuitas
Que nos carregam por benfeitoria?
Como o apoucamento dos atos de ensino?
Como diminuir
Um tempo que me deste para ser melhor?

Quem te disse que o tempo que me dás
Não me desafoga, não me aporta
Cenários amplos?
Sou maior porque te deste e sou mais
Porque te dedicaste.

Sim eu vou falar das horas dadas
Da energia despendida,
Como as flores acariciam
As abelhas
E a areia se dissolve
Por instantes no mar.

Tenho gozo, tenho respeito,
Tenho fascínio,
Pelas vezes gratuitas
Que me entregaste tempos
Que me deram dimensão.

Eu sou hoje a soma
Do que fixei, das portas que me abriram,
Das surpresas que me desabrocham
Das regras e das fronteiras
E sou assim,
Teu filho também!

Sobre o autor

Diogo Cabrita

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