Um lugar nas listas…

Os partidos estão em grande reboliço na preparação das próximas eleições legislativas. Nos próximos dias as dúvidas ficarão clarificadas, com o anúncio dos nomes que compõem as candidaturas. Infelizmente os programas, as ideias e propostas são cada vez menos relevantes – os nomes e o lugar na lista são a única nota relevante. Por isso, a perceção de que a política passou a ser um mundo de interesses, esquemas e para oportunistas – mas não, mesmo considerando os muitos casos de corrupção que têm sido revelados, mesmo olhando para um histórico de interesses pessoais, de relações familiares, de participação em esquemas ilícitos, ainda acreditamos que em política não vale tudo e que os eleitos são idóneos e põem o interesse comum à frente dos interesses pessoais – temos de acreditar que é assim e temos de exigir que assim seja!
O presidente do PSD decidiu surpreender com a escolha de “desconhecidos” para algumas listas. Estranhamente, todos defendemos a regeneração e renovação da política, mas o que ouvimos foi um coro de críticas às escolhas de Rui Rio. Compreende-se, estamos habituados ao domínio dos “profissionais” da política e parece estranho que os rostos mais conhecidos sejam excluídos. A renovação em política não significa necessariamente o rejuvenescimento dos quadros com a ascensão de jovens; não é apenas uma questão etária, mas antes de dar lugar a outras pessoas, a outras formas de pensar e de estar na política e, em última instância, de contrariar maus hábitos, vícios e interesses instalados. Nesse sentido, Rio faz bem em chamar pessoas de fora da “caixa”, falta perceber se é uma purga sobre adversários internos, uma teimosia pessoal (fazer diferente) ou um caminho de regeneração.
Na Guarda (que vai eleger apenas três deputados), Rui Rio deverá contrariar as previsões «mais óbvias». Como aqui escrevi na edição de 28 de fevereiro (https://www.ointerior.pt/opiniao/a-miragem-da-europa/) Ester Amorim poderá encabeçar a lista do PSD, relegando para segundo lugar o ainda presidente da distrital Carlos Peixoto. Depois se verá se Amaro mantém a influência junto do líder, após ser constituído arguido em dois processos, “defendendo” Peixoto como cabeça-de-lista e um lugar para Cidália Valbom e Carlos Condesso (o PSD deverá eleger apenas um deputado). Ângela Guerra vai fazer a sua travessia do deserto, para voltar depois de Rio, e a concelhia da Guarda quer Tiago Gonçalves na lista.
O PS no distrito da Guarda deverá protagonizar uma pequena “revolução”, com o afastamento natural de Santinho Pacheco e Maria Antónia Almeida Santos (que durante quatro anos se esqueceu que foi eleita pela Guarda) e a escolha de Ana Mendes Godinho, atual secretária de Estado do Turismo (com ligações familiares a Foz Côa), para cabeça-de-lista, seguida por Pedro Fonseca (líder da distrital). Se Maria Antónia for “encaixada” noutro distrito, Olga Marques será o terceiro nome de uma lista que terá o jovem Fábio Pinto no quarto lugar. Como é provável que Ana Mendes Godinho continue no governo, Pedro Fonseca e Olga Marques poderão ser os próximos deputados socialistas pelo distrito.
No distrito de Castelo Branco, depois da queda com estrondo de Manuel Frexes, Luís Santos é o novo rosto da distrital, mas Rio escolheu para liderar a candidatura social-democrata uma mulher: Cláudia André. E o PS deverá confirmar Hortense Martins como cabeça-de-lista, apesar de arguida no processo da “Herdade do Regato”, e para vergonha de todos os socialistas da Beira Baixa.

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Luís Baptista-Martins

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