2020

O que esperar e recear de 2020?

O INTERIOR volta desafiar personalidades, autarcas, políticos, empresários, sindicalistas, jornalistas e dirigentes associativos a partilhar a sua opinião sobre o novo ano, bem como as suas aspirações, preocupações e anseios. Um trabalho dividido em vários textos, que serão publicados durante o mês de janeiro.

A nível internacional, o Brexit e as eleições presidenciais dos EUA perfilam-se como os acontecimentos mais importantes em 2020.
A queda do muro de Berlim a 9 de novembro de 1989 é um marco histórico, assinalou o princípio do fim do império soviético. O Brexit é um acontecimento de magnitude semelhante. A “Europa” nunca mais será a mesma. Só os tolos conseguem ver coisas boas na saída do Reino Unido. Como é evidente, uma “Europa” amputada é ainda mais fraca e irrelevante à escala global, e os riscos de desintegração aumentam.

Nesta altura é completamente impossível prever se Trump será ou não reeleito. De qualquer maneira, a eventual derrota de Trump não resolve o problema de fundo que esteve na base da sua eleição em 2016: os milhões de americanos deixados para trás, esquecidos, a viverem numa América em ruínas, distantes do “glamour” de Nova Iorque e da Califórnia e do politicamente correto veiculado pelos media.

Em termos nacionais, os chamados partidos de direita vivem um momento crítico. Pressionados pela Iniciativa Liberal e, sobretudo, pelo Chega, o CDS corre o risco de desaparecer e o PSD de se tornar um partido secundário, a mendigar as migalhas do poder. À esquerda, as coisas afiguraram-se mais claras. O PCP vai prosseguir na sua morte lenta. O Bloco suspira, para já, de alívio ante a inacreditável incompetência e arrogância do Livre. O PS espera continuar a navegar à boleia de ventos internacionais favoráveis. Esperemos que os ventos não mudem de facto, até porque o “habilidoso” António Costa adora ser primeiro-ministro e Portugal não está ainda preparado para outra tempestade.

Temendo talvez essas “alterações climáticas”, Centeno parece estar de partida. Sai em boa hora, com uma medalhinha ao peito, pelo primeiro superavit da democracia, ainda que à custa da maior carga fiscal de sempre, de um investimento público em mínimos históricos e de uma degradação dos serviços públicos – em especial, na saúde e nos transportes públicos.

Por cá, na Guarda, 2020 é um ano decisivo para o executivo camarário. As eleições são já em 2021. A Guarda não precisa só de festas e festinhas. As obras prometidas (por exemplo, a requalificação da Praça Velha, do centro histórico) têm de começar a sair do papel. Sobretudo, continua a faltar um plano, uma estratégia para atrair empresas e pessoas. É difícil? Com certeza. Mas a política só serve para alguma coisa se for uma pequena rebelião contra o preconceito de que tudo está já decidido e é inalterável.
Bom ano.

Sobre o autor

José Carlos Alexandre

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