Região

Câmara de Seia quer contrapartidas pela construção da Barragem de Girabolhos

Escrito por Luís Martins

A Câmara de Seia já pediu uma audiência urgente à ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, depois do Governo ter anunciado o concurso para a barragem de Girabolhos sem «qualquer contacto prévio» com os municípios onde vai ser construída. A autarquia serrana exige contrapartidas.

«Seia não aceita que as soluções de uns se tornem problemas de outros, impondo sacrifícios aos mesmos de sempre», lê-se num comunicado enviado a O INTERIOR. O município defende que «a solidariedade imposta ao território seja acompanhada de compromissos claros e vinculativos» do Estado.

Entre as contrapartidas exigidas está «a correção imediata do tarifário da água cobrado em alta, que penaliza severamente os municípios do interior, e a concretização das acessibilidades rodoviárias (IC6, IC7, IC37, IC12) há décadas prometidas e sistematicamente adiadas».

No documento, a Câmara de Seia, presidida por Luciano Ribeiro (PS), manifesta solidariedade com as populações afetadas pelas cheias do Mondego, mas rejeita «liminarmente a forma, politicamente errada e institucionalmente desrespeitosa, como o Governo anunciou o lançamento do concurso para a Barragem de Girabolhos, sem qualquer contacto prévio com os municípios diretamente atingidos pela sua construção».

«Esta decisão revela uma visão centralista que continua a tratar o interior como território descartável, chamado apenas a pagar o preço das opções tomadas em Lisboa, sem ouvir os seus representantes eleitos e as populações, que há mais de 70 anos vivem sob a ameaça permanente deste projeto», é referido.

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