Região

Concentração “Por Serras Dignas” exige mudanças para evitar incêndios na Serra da Estrela

Escrito por Luís Martins

Perante a devastação causada pelos incêndios florestais que atingiram a região em 2022 e 2025, várias organizações e grupos de cidadãos promovem no domingo (11 horas), na Torre, uma concentração para afirmar «a dignidade das serras e das comunidades que nelas habitam».

Sob o lema “Por Serras Dignas”, a iniciativa pretende ser um momento de «protesto, catarse e partilhas», refere a organização em comunicado enviado a O INTERIOR, que lembra que o incêndio de agosto de 2022 deixou «marcas profundas» ao devastar cerca de 24 mil hectares, o equivalente a 20 por cento do Parque Natural (PNSE). Três anos depois a catástrofe repetiu-se «com maior violência», já que o fogo que teve início no Piódão «arrasou» mais de 64 mil hectares, representando a maior área ardida de sempre em Portugal.

Na região de Trancoso perderam-se cerca de 46 mil hectares e no Sabugal arderam quase 12 mil hectares. «Números que evidenciam a dimensão da crise e a urgência de uma mudança estrutural», defendem os promotores da concentração.
«O manifesto que sustenta esta mobilização recorda que a montanha não é apenas paisagem, mas casa de pessoas, culturas, animais e ecossistemas», acrescentam. Graça Rojão, da CooLabora, uma das entidades organizadoras sediada na Covilhã, assinala que «perante esta devastação, é importante que as pessoas subam à Serra no dia 21 de setembro e digam basta. A mobilização coletiva é fundamental para que não continuemos a ser apenas palco dos incêndios de Verão e território esquecido durante o resto do ano».

Também Mariana Castro, da Ação Floresta Viva, lamenta o impacto dos incêndios. «Vim para a Serra pela promessa de uma vida mais justa e mais ligada à natureza e às pessoas e, em vez disso, encontro uma paisagem de cinzas de onde os jovens querem partir», afirma, citada no comunicado.

Já Catarina Taborda, uma das organizadoras da ação, considera que, «face à repetição e ao agravamento dos incêndios nas nossas serras, não podemos deixar que o nosso silêncio seja cúmplice da continuidade deste ciclo». A iniciativa é apoiada por entidades como a Ação Floresta Viva, Caminheiros da Gardunha, CISMA, CooLabora, Cova da Beira Converge, Covilhã e Marchar, Ecoativo, Instinto, Movimento Bravo Mundo, PRIP, Quercus da Guarda, Sempre Ligados e Veredas da Estrela.

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