Dor crónica: como tratar?

A dor crónica é uma condição complexa e multifacetada, que afeta milhões de pessoas globalmente, sendo um desafio persistente para os sistemas de saúde e com impacto profundo na qualidade de vida das pessoas. Uma dor que permanece além dos três meses, é por definição uma dor crónica. Pode ter diferentes origens: musculoesquelética, pós-cirúrgica, entre outras. A dor persistente interfere profundamente no bem-estar físico, emocional e social, limitando a autonomia e aumentando os níveis de ansiedade e depressão. Em Portugal, estima-se que aproximadamente 36% da população adulta sofra de dor crónica. Esta realidade reflete uma necessidade urgente de abordagens terapêuticas especializadas e dedicadas.
O reconhecimento da dor crónica como uma doença em si mesma, independentemente da sua origem é essencial, tanto por parte dos profissionais de saúde como por parte da população em geral. Existe muito desconhecimento, o que leva os doentes a sentirem-se incompreendidos ou desvalorizados. A literacia em saúde desempenha um papel crucial neste contexto: quanto mais informadas estiverem as pessoas, mais facilmente identificam uma situação de dor crónica, procuram ajuda especializada e adotam estratégias eficazes para o controlo da dor. Profissionais atualizados e atentos podem oferecer orientação e tratamento adequados e precoces, promovendo uma maior qualidade de vida e autonomia para quem vive com dor crónica.
A abordagem de um doente com dor crónica deve ser realizada em Unidades de Medicina da Dor. Estas Unidades integram profissionais especializados no tratamento da dor, priorizando uma abordagem multidisciplinar e biopsicossocial, que realizam uma avaliação cuidada com diagnóstico da causa e elaboram um plano de tratamento individualizado caso a caso.
O tratamento da dor crónica depende da sua causa, características, intensidade, problemas concomitantes (condições de saúde que ocorrem ao mesmo tempo que a dor crónica) e impacto na qualidade de vida. O plano de tratamento definido em Consulta de Dor inclui geralmente medidas farmacológicas e não farmacológicas. Dentro das medidas farmacológicas incluem-se os analgésicos, bem como outras classes, como os anticonvulsivantes e os antidepressivos. Não menos importante é a abordagem não farmacológica, que pode incluir fisioterapia, psicoterapia, medidas de relaxamento, acupuntura, massoterapia, entre outras.
Podem estar recomendados tratamentos diferenciados de intervenção, dos quais fazem parte bloqueios nervosos (injeções em nervos específicos), infiltrações articulares (para dores nas articulações) e procedimentos de neuromodulação (modular a transmissão da dor).
Se sofre de dor crónica ou conhece alguém com este problema, a procura de ajuda é fundamental e deve ser feita junto de um especialista em Medicina da Dor.

* Anestesiologistas na Unidade da Medicina da Dor do Hospital CUF Viseu

N.R.: Esta secção é uma colaboração mensal do Hospital CUF Viseu, na qual os seus profissionais partilham conselhos e dão dicas sobre saúde.

Sobre o autor

Joana Veiga e Luísa Ferreira

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