Região

Sardinhas doces em destaque na Feira

Escrito por Jornal O Interior

As sardinhas doces de Trancoso vão estar em destaque no pavilhão multiusos durante a Feira de São Bartolomeu, que começa esta sexta-feira e termina dia 18.
Este doce conventual foi o vencedor da fase distrital do concurso “7 Maravilhas Doces de Portugal” e está nas meias-finais deste desafio em que os portugueses são chamados a escolherem os melhores doces tradicionais do país. Por isso, poucos dias antes do recomeço das votações, o município decidiu criar um espaço próprio no certame para continuar a promover esta iguaria que vem do século XVIII. Neste stand estarão «as seis ou sete senhoras que atualmente confecionam as sardinhas doces de forma artesanal, duas pastelarias que também as produzem e a Casa da Prisca, que tem sido importante na divulgação deste doce tradicional de Trancoso», revela Amílcar Salvador. «Estamos confiantes num bom desfecho, mas vamos continuar a divulgar o número de telefone para votar nas sardinhas doces porque a linha deve reabrir no dia 21 de agosto», acrescenta o presidente do município.
O seu nome não engana. Com um recheio de amêndoa, ovos e açúcar, envolto numa espécie de massa tenra que depois é frita e coberta com chocolate, a sardinha doce continua a fazer furor e ninguém passa por terras de Bandarra sem comprar este doce conventual. «Notamos que desde 10 de julho muitas pessoas vêm a Trancoso e procuram as sardinhas doces, que esgotam a meio da manhã. Felizmente que a Casa da Prisca produz em grandes quantidades», adianta o autarca local, que acredita que será «mais fácil» certificar este doce como Especialidade Tradicional Garantida (ETG) – um processo iniciado em 2006 pela AENEBEIRA, mas que está parado – se estas peculiares sardinhas forem consideradas uma das “7 Maravilhas Doces de Portugal”.
Antes deste concurso, a divulgação da iguaria foi feita em grande parte pela Confraria das Sardinhas Doces de Trancoso, criada em 2011. Estima-se que a receita tenha tido origem no séc. XVII, no antigo Convento de Freiras de Santa Clara (extinto em 1864), tendo-se tornado hoje num dos “ex-libris” da gastronomia local. O seu nome terá sido um tributo à sardinha, devido à sua escassez na região naquela altura, mas também deriva da sua configuração – o seu formato é retangular com uma das extremidades pontiaguda e a outra em forma de rabo de peixe –, com dez a 15 centímetros de comprimento. Para a popularização do seu fabrico e consumo muito contribuíram também, já nos meados do século passado, doceiras como Maria Luísa Bogalho que, com a sua irmã, Maria Antónia, fundou em 1947 a pensão das “Bogalhas”. E ainda Maria do Céu, popularmente conhecida por “Céu do Doro”, que, entre os anos 40 e a década de 70, encantou os seus clientes com estas deliciosas doçarias.
A final do concurso das “7 Maravilhas Doces de Portugal”, onde serão anunciadas as sete iguarias vencedoras, está agendada para 7 de setembro e será transmitida pela RTP1. Antes disso serão apurados 20 pré-finalistas através dos votos do público. A estes somam-se oito doces que serão repescados pelo júri. Seguem-se depois duas meias finais, que resultarão na seleção de 14 doces (de entre um total de 28). Os 28 pré-finalistas são divididos por sorteio pelas duas meias finais, que decorrem nos dias 24 e 31 de agosto, em direto na RTP1.

Sobre o autor

Jornal O Interior

Deixar uma resposta