Região

«O contributo do vinho já é muito significativo para a empregabilidade na Beira Interior»

Escrito por Sofia Craveiro

As provas cegas do Concurso de Vinhos da Beira Interior decorreram na segunda e terça-feira. O júri presidido por Aníbal Coutinho, enólogo e jornalista da especialidade, avaliou 83 vinhos da região onde «é difícil encontrar um mau vinho», garante o especialista.

Estão a concurso, nesta 12ª edição, 30 produtores da Beira Interior, que podem apresentar até quatro vinhos, desde que um deles seja branco. A avaliação inclui tintos, brancos e rosados, espumantes e frisantes certificados como DOC Beira Interior ou como IG Terras da Beira, das colheitas efetuadas entre os anos de 1999 a 2018, inclusive.
O júri efetuou as provas cegas no início desta semana no Solar do Vinho da Beira Interior, na Guarda, onde Aníbal Coutinho distinguiu a «personalidade» dos néctares produzidos na região, afirmando que embora ainda não estejam ainda incluídos «no top 5 das regiões produtoras a nível nacional», são vinhos «que agradam a qualquer pessoa, mas não deixam de ter uma assinatura». A inclusão da categoria “Escolha da Mulher” é a grande novidade da edição deste ano, já que pretende salientar «o papel cada vez mais importante da mulher na sociedade», justificou Rodolfo Queirós, presidente da CVRBI, que se disse «expectante» quanto aos resultados desta distinção. Esta novidade reflete-se na composição paritária do júri (sete homens e sete mulheres, todos especialistas nesta área), o que é «perfeitamente natural», disse Aníbal Coutinho, segundo o qual «as mulheres compram tanto vinho quanto os homens». Será a primeira vez que se realizará em Portugal a escolha no feminino num concurso de vinhos deste tipo.
O presidente do júri falou ainda sobre o papel dos vinhos na dinamização da Beira Interior, referindo que «já é muito significativo o contributo do vinho para a empregabilidade da região». Na sua opinião, o que falta é «ter uma outra estrutura na sociedade de vinho», pois «a dimensão económica dos produtores é um entrave» ao crescimento deste setor. Neste sentido, Aníbal Coutinho afirma que a melhor opção seria estabelecer uma rota de enoturismo, algo que «faz todo o sentido, numa região localizada fora dos grandes centros». Os vinhos distinguidos serão conhecidos a 6 de julho, no castelo de Trancoso, onde terá lugar a gala de entrega dos prémios desta competição regional organizada pela Comissão Vitivinícola Regional da Beira Interior. Além das habituais distinções, serão galardoadas a Melhor Imagem a; o Melhor Vinho (no Feminino) e também a Melhor Imagem a Concurso no Feminino. A iniciativa conta com o apoio do NERGA – Associação Empresarial da Região da Guarda e da Associação Empresarial da Beira Baixa – AEBB.

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Sofia Craveiro

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