Quem quer ser o presidente
De todos os portugueses?
É uma cambada de gente,
Não é como as outras vezes.
Há de tudo nestas listas,
Fachos e cantores de rock,
Trotskistas, comunistas
E a brigada de choque.
Há um meio almirante
Que foi herói do covid.
Uma dúvida irritante:
É casaco ou cabide?
Outro é meio liberal
E demasiado beto
Queria que Portugal
Fosse um lugar selecto.
Há o facho de serviço
Que se candidata a tudo.
A gordura de chouriço,
A palhaço no Entrudo.
A esquerda sem união
Não é coisa de dar brado.
Matam-se – é tradição –
Com um pequeno machado
Mas há quem não se reveja
Num nome ou numa caixa.
Sobe para ir à cereja,
A sondagem é que baixa.
Há um outro pequenito
Que é amigo do Marcelo.
Ponho na boca um palito
E um sorriso amarelo.
Vou mas é votar em branco
Enquanto isto não muda.
Atiro-vos um tamanco
Se me pedirem ajuda.
Como é que isto mudaria
É coisa que já nem sei.
Por isso há alegria
Nas terras onde há um rei.
* O autor escreve de acordo com a antiga ortografia


