Observatório de Ornitorrincos de Nuno Amaral Jerónimo: Bucha e Estica

Na sexta-feira, lá vamos assistir a uma cimeira de tarados. Donald, filho de uma escocesa, e Vladimir, filho de Putina, encontram-se no Alasca para falarem um com o outro e apertarem as pequenas mãozinhas de ambos. Não deixa de ser curioso que esse encontro decorra num território que os EUA compraram ao Império Russo. Se Putin for consistente com a sua versão da história, ainda sai de lá com as chaves de Juneau e Anchorage.
As grandes dúvidas sobre esta cimeira são as versões dos presidentes que comparecerão. Que Trump estará presente? O admirador de autocratas, o irascível das conferências de imprensa, o apaziguador que aproxima arménios e azeris? E que Putin aparecerá? O que vive no bunker do Kremlin ou um dos sósias que viaja pela Rússia?
Lá estarão os dois, em poses pornográficas em frente às câmaras. Um, obcecado em obter o Nobel da Paz, o outro, em obter a Ucrânia pela guerra. Vão, entre outros assuntos, discutir a Ucrânia. Um, que não sabe nada sobre a Ucrânia e inventa, outro, que sabe tudo e mente. Vão também discutir negócios. Um, que aproveitou a fortuna para se tornar presidente, outro, que aproveitou a presidência para se tornar milionário.
Don admira Vova. E Don julga que Vova o admira. Mas Vova despreza Don. Don tenta desesperada e pateticamente que Vova o abrace. Vova despreza ainda mais as patéticas tentativas de Don, mas o afecto de Don dá muito jeito a Vova. Don, iludido, faz promessas a Vova que não pode cumprir – nomeadamente oferecendo a Vova o jardim da casa de um vizinho. Podia ser uma comédia romântica para adolescentes, em que tudo acaba bem. Mas é uma tragédia geopolítica para adultos, que tem tudo para acabar mal.
Talvez fosse bom ouvir com atenção o que dizem os propagandistas russos que orbitam à volta de Putin, e acreditar no que dizem. Donald Trump, todos os ucranianos, e, com certeza, a maioria de nós gostaríamos muito de acabar com a guerra na Europa. Mas o governo do Kremlin, com a mesma certeza – reafirmada diariamente – gostaria muito de acabar com a Europa em guerra.

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Nuno Amaral Jerónimo

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