O zinco é um micronutriente essencial ao funcionamento do organismo humano. Embora seja necessário em quantidades muito pequenas, a sua presença é indispensável para uma série de processos biológicos fundamentais. Este mineral participa na atividade de centenas de enzimas e está envolvido em funções como o fortalecimento do sistema imunitário, a cicatrização de feridas, o crescimento e desenvolvimento corporal, a manutenção da função cognitiva e até na preservação dos sentidos do paladar e do olfato.
A ausência ou carência de zinco pode provocar diversos sintomas, como queda de cabelo, dificuldade na cicatrização, alterações na pele, perda de apetite, maior suscetibilidade a infeções e até problemas de concentração. Em casos mais graves, pode comprometer o crescimento em crianças e adolescentes. Os grupos mais vulneráveis à deficiência de zinco incluem os idosos, pessoas com doenças intestinais que afetam a absorção de nutrientes, indivíduos com dietas muito restritivas, e mulheres grávidas ou em fase de amamentação.
A principal forma de obter zinco é através da alimentação. Os alimentos de origem animal, como carne de vaca, porco, frango e marisco são particularmente ricos neste mineral. Também se encontra em leguminosas como o feijão e o grão-de-bico, em frutos secos como as amêndoas e as castanhas de caju, em sementes como as de abóbora, e em produtos lácteos.
Em situações específicas, pode ser necessário recorrer à suplementação de zinco. Isto acontece, por exemplo, em casos de deficiência confirmada, em pessoas com doenças crónicas, ou quando há necessidade de reforçar o sistema imunitário. No entanto, a suplementação deve ser sempre feita sob orientação médica, pois o excesso de zinco pode causar efeitos adversos, como náuseas, dores de cabeça, alterações no funcionamento do sistema imunitário e interferência na absorção de outros minerais importantes, como o cobre.
A nível global, a deficiência de zinco é considerada um problema de saúde pública em várias regiões, sobretudo em países em desenvolvimento. Em Portugal, embora não seja comum, pode ocorrer em populações vulneráveis ou em pessoas com hábitos alimentares pouco variados. A Organização Mundial da Saúde reconhece o zinco como um nutriente essencial na prevenção de doenças infeciosas, especialmente em crianças.
Em suma, o zinco é um mineral pequeno em quantidade, mas enorme em importância. Cuidar da sua ingestão é cuidar da saúde como um todo — da imunidade à pele, do cérebro ao crescimento. Uma alimentação equilibrada e diversificada continua a ser a melhor forma de garantir que o corpo recebe tudo o que precisa para funcionar em pleno. E como em tudo na saúde, o segredo está no equilíbrio: nem a mais, nem a menos.
* Interno de Formação Específica de Medicina Geral e Familiar na USF “A Ribeirinha” – ULS Guarda
NR: A rubrica “ABC Médico” é da responsabilidade do grupo de Internato Médico da ULS da Guarda e pretende aumentar a literacia em saúde na área do distrito da Guarda. O objetivo desta coluna mensal é capacitar a comunidade a fazer parte integrante do seu processo de saúde/doença, motivando-a para comportamentos de vida saudáveis e decisões adequadas. Para tal, são escolhidos temas pertinentes que serão apresentados por ordem alfabética.


