2020 Guarda.me no coração

O que esperar e recear de 2020?

O INTERIOR volta desafiar personalidades, autarcas, políticos, empresários, sindicalistas, jornalistas e dirigentes associativos a partilhar a sua opinião sobre o novo ano, bem como as suas aspirações, preocupações e anseios. Um trabalho dividido em vários textos, que serão publicados durante o mês de janeiro.

Entre um balanço da década ou expectativas para 2020, dou comigo numa miscelânea quase caótica de pensamentos que importa triar com o necessário sentido crítico e sintético. O desafio claro está que é honroso, mais ainda vindo de um jornal que marca um ato revolucionário de resistir aos constrangimentos de manter viva a força da imprensa escrita, precisamente nesta última década que veio dar ênfase ao virtual, às redes sociais, aos media online e, o pior, às “fake news”. Porém, não deixa de ser inquietante e terrível revisitar alguns desses simbólicos feitos da década. Por outro lado, há outros que confortam e nos quais dá vontade de voltar ou então relembrar sempre.

Foi precisamente nesta última década que a Guarda virou uma página e começou a desenhar e a traçar um novo rumo. Uma Guarda que tem desfilado altiva e confiante, uma Guarda forte e firme que em todos os guardenses deve continuar a encontrar amparo e confiança, vontade e até defesa perante as dificuldades evidentes de um interior tão politicamente propagado, mas tão pouco sentido e respeitado. Uma Guarda que encontre sempre um lugar cativo no coração de cada um de nós!

Entramos em 2020 com múltiplos desafios – daqueles que são pessoais e ficam confinados ao plano mais íntimo de cada um, mas também daqueles que exigem um envolvimento coletivo e representativo deste ecossistema relacional de quem sente na alma a emoção de ver a Guarda ser conhecida e reconhecida no âmbito de uma estratégia territorial, que valorize a sua localização geoestratégica e, acima de tudo, os(as) guardenses(as). Entenda-se esta reflexão, abnegada e sincera, como um ato democrático de quem considera que qualquer que seja o plano ou a estratégia de futuro, este terá de ser o reflexo de uma ação política e social participativa, sempre combativa e em prol da coesão de interesses, para o bem da nossa cidade e também desta nossa nobre pátria lusa, daquela que um dia, oxalá, venha abrir caminho a uma renovada organização administrativa do espaço nacional, cujos alicerces estejam firmados numa estratégia de crescimento económico sustentado pelo reforço da autonomia local e das suas competências, e pelo reforço do princípio da subsidiariedade e da participação mais democrática da administração pública. Um Portugal descentralizado, portanto!

São expectativas de quem tem um elevado sentido patriota e de quem se sente uma europeísta convicta, e que correm um risco sério de passar para o plano da utopia, mas cá tentarei manter-me firme nas minhas convicções sem deixar perigar a minha fé no ser humano, naquele que é do bem, que trabalha em prol de causas, que sente o seu dever de cidadania e que aparta de si extremismos ou que se ergue acorrentado a uma ignorância hostil impregnada de ambição cheia de mácula, se é que me entendem!?

No plano pessoal, registo que esta década me transformou, foi uma década de afirmação, com muitas negações pelo meio, obviamente. Mas, o balanço só pode ser sobejamente positivo quando abro os braços e neles cabem os dois seres mais maravilhosos, fabricados pelo amor, desejados com todas as forças e por quem vale a pena acreditar que o amanhã será sempre melhor – as minhas filhas. Por certo, nascidas na Guarda, numa Maternidade que merece mais e melhores condições para todos. Que em 2020 se dê verdadeira prioridade ao Hospital da Guarda e que se colmatam as lacunas que têm imperado nos cuidados de saúde. Ao nível da Maternidade, que não se esqueça que é a forma mais digna de se abraçar o futuro e de se dar as boas vindas às sementes que hão de dar fruto no amanhã.
Com votos sinceros de que, entre as muitas contrariedades (as que passaram e as que possam vir), o saldo seja positivo, nisto que são as contas da vida e a contagem decrescente em que todos nos encontramos, mas sempre taxadas pela esperança indelével.

* PhD em Economia; Pós-graduada em Marketing Territorial; Coordenadora da Territórios do Côa, ADR; Investigadora do NECE (UBI) e docente do ensino superior

Sobre o autor

Dulcineia Catarina Moura

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