No dia 9 de Fevereiro, Portugal voltará a assistir a um duelo entre dois homens com visões e posturas diferentes do mundo. Um mais bonacheirão, outro mais enérgico. Um com uma estratégia de controlo do centro, outro mais interessado em ataques rápidos e agressivos. Um com a fibra das terras altas do interior, outro com a exuberância das origens comuns com Javier Milei.
O leitor pode estar confuso com as datas, porque dirá – e terá as suas razões – que a segunda volta das eleições presidenciais é a 8 de Fevereiro. E eu responderei – porque tenho as minhas – que o leitor só pensa em pornografia. A 8 de Fevereiro, os portugueses que tiverem pachorra para isso decidem, na segunda volta das eleições, quem será o próximo presidente da república. A 9 de Fevereiro, na segunda volta do campeonato, os jogadores que tiverem caparro para isso, decidem quem será o próximo campeão nacional. E como toda a gente que percebe de prefixos sabe, uma segunda volta é uma revolta.
É verdade que no dia 8 teremos oportunidade de escolher livremente um presidente para os próximos 5 ou 10 anos. Mas note-se também a relevância de o Sporting poder ser tricampeão pela primeira vez desde 1953, ano em que houve eleições legislativas e a União Nacional ganhou os 120 lugares na Assembleia Nacional.
Como adepto do Sporting, não estou habituado a tantas vitórias, mas não me chateia. Como adepto da democracia liberal, não estou habituado a tantas derrotas, e isso já me encanita. Não falo dos partidos e candidatos em quem voto, porque esses, tal como o Sporting me habituou, até perdem regularmente. Falo mesmo da defesa dos valores liberais das democracias modernas, aquela lenga-lenga estafada do respeito pelas instituições, pela igualdade perante a lei, pelo respeito pela liberdade de expressão e pelas minorias. Nas américas, nas hungrias, nas eslováquias da vida (já para nem falar, obviamente, das rússias, das chinas e dos irões, onde o povo já nem escolhe) essa defesa tem vindo a ser derrubada por gente que estaria melhor a brincar aos ditadores em jogos como o Civilization ou o SimCity.
É por isso que no dia 8 e no dia 9 estarei do lado de quem defende o sistema a partir do centro contra os cruzamentos dos extremos, de quem está com a Dinamarca (ou tenha um capitão dinamarquês). Chegada a esta decisão importante, e contra os aventureirismos, prefiro sempre, sem hesitações, quem jogue pelo seguro.
* O autor escreve de acordo com a antiga ortografia


