Sociedade

ULS da Guarda contesta proposta da nova Rede de Referenciação Hospitalar em Pediatria

Escrito por Luís Martins

A Unidade Local de Saúde (ULS) da Guarda contesta a proposta da nova Rede de Referenciação Hospitalar em Pediatria, cuja fase de consulta pública termina esta segunda-feira, que atribui ao Hospital da Guarda o nível I.

«Esta proposta não reflete a realidade assistencial, técnica e científica do Serviço de Pediatria e da Maternidade da ULS da Guarda e foi elaborada sem qualquer contacto, pedido de contributos ou reunião prévia com a instituição», adianta a ULS, presidida por Rita Figueiredo, numa nota publicada nas redes sociais da instituição.

A ULS da Guarda lembra que «há mais de duas décadas» que é assegurado «um Serviço de Pediatria e uma Maternidade em funcionamento permanente, 24h por dia, 7 dias por semana, com especialistas em presença física contínua». Além disso, desde junho de 2025 que a Pediatria funciona «numa unidade moderna, fruto de um investimento público significativo, com renovação tecnológica, requalificação de infraestruturas e reforço de valências» como a Neonatologia, a Urgência Pediátrica, o Hospital de Dia Pediátrico e equipa inter-hospitalar de Cuidados Paliativos Pediátricos. Trata-se do Departamento da Saúde da Criança e da Mulher, instalado no Pavilhão 5 após obras de mais de 8 milhões de euros.

Recordando que a unidade hospitalar serve 13 concelhos de «um território extenso e de baixa densidade populacional», a ULS da Guarda avisa que «qualquer decisão que reduza a capacidade de resposta pediátrica e materno-infantil na Guarda agravará desigualdades no acesso à saúde, colocará famílias em risco e comprometerá o princípio constitucional da igualdade de oportunidades no SNS».

A administração hospitalar guardense apela, por isso, ao Ministério da Saúde para «rever a proposta apresentada, repor a classificação e abrir um processo de diálogo técnico e institucional, em defesa das necessidades da população, do trabalho dos profissionais e do interesse público», lê-se ainda.

Isto porque a ULS da Guarda sustenta que o serviço de Pediatria cumpre «rigorosamente» os critérios do Nível IIa, classificação que reconhece «a sua diferenciação e qualidade assistencial, a capacidade de resposta da equipa e o papel formador que o serviço desempenha a nível nacional».

«A continuidade da Maternidade e da diferenciação Pediátrica na Guarda é uma questão de saúde pública, de justiça territorial e de dignidade no Serviço Nacional de Saúde», conclui a ULS guardense.

Esta tomada de posição surge no último dia da fase de consulta pública da proposta da nova Rede de Referenciação Hospitalar em Pediatria. Elaborado pela Comissão Nacional da Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente, o documento classifica o serviço de Urgências pediátricas da Guarda no nível IB, um nível inferior ao do Hospital Pêro da Covilhã, que fica no nível II A. Saiba mais na próxima edição de O INTERIOR.

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