Bilhete Postal de Diogo Cabrita: Reel’s

Escrito por Diogo Cabrita

A obsessão sonora está diretamente ligada à aberração moderna dos telemóveis, onde as pessoas se deliciam com pequenos vídeos. A outra insensatez é falarem em qualquer lugar ligando o vídeo ou colocando-se em alta voz. Temos de conhecer-lhes os primos, os filhos, a empregada, o amor lá longe. Vamos ao café e temos a televisão, os telemóveis e a gritaria de inúmeros que deviam ter nascido com regulador de volume. O “celular” é uma invenção incontornável, uma prótese às nossas capacidades, um acrescento à nossa inteligência, mas simultaneamente convoca-nos para a barbárie do ruído. “The mobile” trouxe-nos pagamentos, aplicações que ajudam a reconhecer, que ajudam a pontuar, que permitem jogar. Uma parte importante do copo meio cheio para explicar as vantagens de usar este aparelho em constante evolução. O copo meio vazio da questão é, como sempre, o uso inapropriado, “o cu mal-avisado que vai onde não é chamado”. Há idiotas que levam os filhos para almoçar e ligam-lhes “o móvel”. Todos temos de ouvir?
Há incultos, egos de um neurónio, que observam “reels” e “tic toc” à mesa do restaurante. Todos temos de conhecer? Não lhes ocorre que vivem no meio de outros, não interiorizam que existem os outros. Porque existem energúmenos que não compreendem a importância do envolvente, temos de chamar a atenção, temos de nos fazer ver. Ultimamente começamos a perceber que há psicopatas que matam os pais e irmãos, possivelmente como nos jogos dos seus telefones.
O telemóvel é um acrescento de nós, que já nos controla a vida, a relação social, a interligação familiar. “Ele está dentro de nós” e não sei se percebem o grave que isto é!

Sobre o autor

Diogo Cabrita

Deixe comentário