Editorial de Luís Baptista-Martins: Defender a Maternidade da Guarda

«Para já, a contestação promovida pela ULS e a pressão política feita terá assegurado a suspensão da proposta, mas devemos ficar alerta»

A proposta da nova Rede de Referenciação Hospitalar em Pediatria, elaborada pela Comissão Nacional da Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente, classificou o serviço de Urgências pediátricas da Guarda no nível IB, um nível inferior ao do Hospital Pêro da Covilhã, a que foi atribuído o nível IIA.
Este estudo surpreendeu a comunidade médica da Guarda, especialmente depois do enorme investimento feito no Departamento da Saúde da Criança e da Mulher, instalado no Pavilhão 5, do Hospital da Guarda, com obras de mais de 8 milhões de euros, que permitem o comentário de que «o serviço está bem, e recomenda-se».
Aliás, num tempo em que quase todos os dias ouvimos falar de serviços de urgência pediátrica ou obstétrica que encerram pelo país, destacar que a urgência pediátrica e obstétrica na Guarda tem estado sempre a funcionar. Como muito bem explanou a ULS Guarda na sua contestação à proposta – o Hospital Sousa Martins tem um «Serviço de Pediatria e uma Maternidade em funcionamento permanente, 24h por dia, 7 dias por semana, com especialistas em presença física contínua». E, além disso, «desde junho de 2025 que a Pediatria funciona numa unidade moderna, fruto de um investimento público significativo, com renovação tecnológica, requalificação de infraestruturas e reforço de valências, como a Neonatologia, a Urgência Pediátrica, o Hospital de Dia Pediátrico e equipa inter-hospitalar de Cuidados Paliativos Pediátricos». Se mais argumentos não houvesse, estes deveriam bastar para suspender a proposta da nova Rede de Referenciação Hospitalar em Pediatria.
Se a classificação do Hospital da Guarda no Nível IB, na área da Pediatria, fosse ratificada, de futuro, teria que drenar doentes para outros hospitais da região, nomeadamente para a Covilhã, que ficaria como referência na Beira Interior – o plano passa pela criação de Urgências Obstétricas Regionais e a Maternidade da Guarda poderia ficar em causa.
A preocupação sobre a possibilidade de encerramento da Maternidade do Sousa Martins voltou, pois, a perturbar os guardenses – e deve perturbar, obviamente, toda as pessoas dos 13 concelhos servidos pelo serviço. Independentemente do nível que for determinado para o Hospital da Guarda, defender a maternidade da Guarda, uma vez mais, tem de ser uma obrigação de todos.
A campanha «uma fralda à janela pela Maternidade» (destinada a mobilizar a população da Guarda contra a hipótese de encerramento do bloco de partos do Hospital Sousa Martins), lançada em março de 2006 pela Rádio Altitude, poderá voltar a ser uma marca necessária na defesa da obstetrícia e da pediatria da Guarda. A decisão será técnica e será política. Para já, a contestação promovida pela ULS e a pressão política feita terá assegurado a suspensão da proposta, mas devemos ficar alerta, pois, os movimentos em defesa da Pediatria do Hospital Pêro da Covilhã e da promoção de Urgências Obstétricas Regionais na Covilhã são muitos, nomeadamente pela relação com a faculdade de Medicina da UBI. Para já, a proposta da nova Rede de Referenciação Hospitalar em Pediatria fica sem efeito, com o reconhecimento da qualidade dos serviços de pediatria do Sousa Martins e a elevação para IIA na proposta final, mas o movimento pela desclassificação do Hospital da Guarda vai continuar.

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Luís Baptista-Martins

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