Faço parte daqueles críticos de cinema amadores que consideram que um bom filme de ficção científica não é aquele que usa e abusa de efeitos especiais de última geração. Mas sim aquele que é capaz de criar em nós a esperança de que, um dia no futuro, seja possível concretizar algo que hoje parece completamente impossível.
O “Duelo Imortal II” estreou no início da década de 1990. À época, o discurso ambientalista estava muito focado nos buracos da camada de ozono. O alargamento dos buracos nos polos norte e sul, sobretudo na década de 1980, constituía uma das ameaças ambientais mais sérias que pairavam sobre o planeta. Isto porque a camada de ozono funciona como um escudo natural que filtra a radiação ultravioleta proveniente do Sol. Sem a sua proteção, a vida na Terra ficaria exposta a níveis perigosos de radiação, afetando o equilíbrio e a sobrevivência de ecossistemas inteiros.
Estreado em 1991, o filme relato-nos eventos (à época) futuristas. Em 1999, após a destruição total da camada de ozono, o protagonista Connor MacLeod criou um escudo artificial gigantesco que passou a proteger a Terra da radiação solar. Vinte e cinco anos mais tarde, a personagem interpretada por Christopher Lambert luta contra a corporação mafiosa e maquiavélica que passou a deter o monopólio do escudo e usa a sua posição para perpetuar um controlo tirânico ao nível mundial.
Felizmente (e, curiosamente, tal como no filme), a camada de ozono recuperou e tudo indica que os buracos poderão desaparecer por completo daqui a algumas décadas. Mas a necessidade de fazer face à radiação solar e ao aquecimento global nunca foi tão premente como o é hoje.
Para fazer frente a estes desafios, já há poucos motivos para acreditar em discursos de governantes ou nas declarações de compromissos internacionais. Ao invés, a ciência e a tecnologia vão de vento em popa e é nelas que recai, naturalmente, a esperança. No caso concreto, já é possível criar um escudo semelhante ao que vimos no “Duelo Imortal II”, capaz de proteger a Terra e os seus ecossistemas da radiação solar e do aquecimento global resultante dessa radiação excessiva? Mesmo que a resposta seja negativa – não vá o Diabo tecê-las – é possível assegurar, desde já, que nenhuma empresa ou governo pode ficar com o monopólio de um mecanismo deste calibre?
A frase emblemática desta saga que coloca seres quase-imortais a tentar decepar as cabeças uns dos outros é “There can be only one!”. No que toca ao nosso planeta, a frase será sempre “There really is only one!”.
* pedrorgfonseca@gmail.com


