Sociedade

Ministra inaugurou Departamento da Saúde da Mulher e da Criança na Guarda

Escrito por ointerior

Está completo desde sábado e a funcionar em pleno o Departamento da Saúde da Mulher e da Criança da Unidade Local de Saúde (ULS) da Guarda. Agora concentrado no Pavilhão 5 do Hospital Sousa Martins, o serviço foi inaugurado na segunda-feira pela ministra da Saúde, Ana Paula Martins.

Com um investimento de mais de 8 milhões de euros, que contempla a aquisição de equipamento, o edifício acolhe desde sábado todas as valências obstétricas, pediátricas e ginecológicas da ULS na sequência da transferência da Urgência Obstétrica, do Bloco de Partos, do Internamento Obstétrico e da Ginecologia. Em junho, tinham sido transferidos os serviços de neonatologia, urgência pediátrica, hospital de dia pediátrico e a equipa inter-hospitalar de cuidados paliativos pediátricos. Anteontem, a governante descerrou uma placa que assinalou o momento e conheceu as instalações, numa cerimónia realizada durante a visita integrada no périplo pelas Unidades Locais de Saúde do país, no âmbito da preparação do SNS para o período de Inverno.
«Hoje, é um dia que ficará inscrito na história da nossa região. Ao longo de mais de 40 anos, o distrito sonhou com instalações dignas, capazes de garantir cuidados materno ou infantis ao nível dos melhores centros do país. Hoje, esse sonho torna-se realidade», sublinhou Rita Figueiredo, presidente do Conselho de Administração (CA) da ULS da Guarda. Num discurso emocionado, a responsável acrescentou que a requalificação do Pavilhão 5 avançou graças «à perseverança, esperança e, acima de tudo, à convicção profunda de que as nossas crianças e as nossas mulheres merecem o melhor que o SNS pode oferecer». Na sua opinião, a saúde materno-infantil «é mais do que um serviço, é um compromisso com o futuro», tanto mais que numa altura em que se discute a nova Rede de Referenciação Hospitalar de Pediatria, «este investimento reafirma que o SNS é um compromisso com as pessoas e com o interior, porque a saúde é o mais sublime fator de coesão territorial».
A presidente do CA assinalou, por isso, que a inauguração do Departamento da Saúde da Mulher e da Criança é «um sinal firme de que o Estado não vira as costas ao interior», num dia em que «saramos as feridas e as fragilidades antigas, abrindo portas a uma nova geração de cuidados, não apenas com melhores condições físicas, mas novos padrões de qualidade clínica, segurança, humanização e proximidade». Resolvido este problema antigo, Rita Figueiredo disse à ministra que é agora preciso «acautelar a reabilitação do Pavilhão 1, porque quando o Estado investe na ULS da Guarda, investe no país inteiro». A responsável agradeceu depois «o apoio e o investimento» da tutela, «a resiliência» dos profissionais da instituição e «a voz ativa, a vigilância, a confiança e a união da população» na defesa da ULS.
Ana Paula Martins fez suas as palavras da presidente do Conselho de Administração da ULS. «Foi o Estado que apoiou este investimento e claro que colocaremos aqui todo o investimento que falta em termos de equipamento, mas a criação deste serviço deve-se sobretudo à Guarda, a todos os guardenses», enalteceu a governante. A requalificação do Pavilhão 5 foi adjudicada em janeiro de 2022 ao consórcio Alberto Couto Alves/IELAC e representou um investimento de mais de 8,3 milhões de euros, aprovados pelo Governo de António Costa. No entanto, o auto de consignação só foi assinado em julho desse ano, depois do efeito suspensivo de uma providência cautelar apresentada pelo segundo classificado no concurso público ter sido indeferida pelo Tribunal Administrativo e Fiscal do Porto.
O anterior Conselho de Administração da ULS da Guarda previa a abertura do edifício para setembro de 2024, mas tal só veio a acontecer a 1 de junho de 2025, Dia Mundial da Criança, com a transferência dos serviços de neonatologia, urgência pediátrica, hospital de dia pediátrico e equipa inter-hospitalar de cuidados paliativos pediátricos. A requalificação do Pavilhão 5 foi exigida numa petição promovida pelo MASMI – Movimento de Apoio à Saúde Materno-Infantil do Distrito da Guarda, que reuniu 18.661 assinaturas e foi entregue na Assembleia da República a 12 de junho de 2019. O documento fez com que o movimento fosse ouvido pela Comissão Parlamentar de Saúde, em fevereiro de 2020, e em setembro a petição foi debatida em plenário, tendo sido aprovada por unanimidade e reconhecida como «a maior mobilização cívica alguma vez realizada no Distrito da Guarda».
Nesta passagem pela Guarda, a ministra da Saúde anunciou a abertura de uma linha de financiamento para requalificar os serviços de urgência que estão numa «situação mais fragilizada» e precisam de obras. «A Guarda é um exemplo, Beja, onde estive na semana passada, é outro, mas há mais casos», disse Ana Paula Martins. «A urgência não tem os circuitos adequados que precisamos para que os doentes sejam recebidos, triados, encaminhados e depois fiquem em observação o tempo que precisam. Não podem é ficar em corredores e, neste momento, estão em corredores, mas não é de agora, estão em corredores há muitos anos», disse. A titular da pasta da Saúde realçou que as obras permitirão também aos profissionais de saúde continuar a trabalhar em melhores condições e a prestar melhores cuidados.

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