Sociedade

Câmara da Guarda continua bloqueada por ataque informático

Escrito por Luís Martins

«Trata-se de um incidente cibernético complexo registado no dia 12 de fevereiro, que condicionou, condiciona e vai continuar a condicionar o funcionamento dos nossos serviços», admitiu Sérgio Costa

A Câmara da Guarda está há duas semanas sem serviços informáticos e site devido a um «incidente cibernético complexo», que ainda não está resolvido, assumiu o presidente da autarquia na reunião quinzenal do executivo, realizada excecionalmente na sexta-feira.
«Trata-se de um incidente cibernético complexo registado no dia 12 de fevereiro, que condicionou, condiciona e vai continuar a condicionar o funcionamento dos nossos serviços», admitiu Sérgio Costa aos jornalistas no final da reunião. O ataque informático ocorreu no mesmo dia em que a Polícia Judiciária estava a efetuar buscas na Câmara da Guarda para recolher elementos de provas, no âmbito de um inquérito instaurado por participação económica em negócio e prevaricação de titular de cargo político. Na altura, a autarquia publicou uma nota nas redes sociais a dar conta que «devido a um problema informático, os serviços online e o site oficiais estão de momento indisponíveis. Estamos a trabalhar para repor com a maior brevidade possível todo o sistema».
O silêncio prevaleceu desde então, mas na sexta-feira o executivo ficou a saber que «a segurança integral da informação e dos dados pessoais dos munícipes está salvaguardada». Sérgio Costa acrescentou também que «estamos a trabalhar arduamente, em estreita articulação com as autoridades policiais de investigação e com consultores para nos ajudarem a restabelecer a normalidade de forma blindada e definitiva». No entanto, o autarca reconheceu que o município enfrenta «um caso de força maior», pois «estamos absolutamente bloqueados em muitos serviços», adiantando que atualmente apenas o Balcão Único está a funcionar, «mas condicionado».
«Esperemos que, gradualmente, outros serviços sejam desbloqueados até ao restabelecimento total», declarou, sem adiantar uma previsão para a resolução do problema. «Cabe aos técnicos dar-nos essa estimativa e propor os caminhos a seguir, mas é certo que vamos continuar condicionados no serviço em todas as situações, pelo que os prazos relativos a obras e licenciamentos vão ter que ser alargados», indicou Sérgio Costa, que agradeceu a «compreensão dos guardenses e das instituições pelos transtornos causados» e enalteceu o «extraordinário espírito de missão» dos funcionários municipais por «garantirem a continuidade do serviço perante a adversidade».
Alexandra Isidro, vereadora da coligação PSD/CDS/IL, manifestou preocupação com a proteção dos dados dos munícipes e dos processos de licenciamento de obras. «Será necessário que os prazos dos processos em causa sejam, obviamente, alargados dados estes constrangimentos, mas alertámos também para a necessidade de informação à população sobre o que está disponível, quais são os constrangimentos, até para as pessoas saberem quais os serviços disponíveis», disse. Por sua vez, António Monteirinho, vereador do PS, lamentou que o presidente não tivesse dado mais explicações sobre o ataque informático. «Ficámos sem saber se é, ou não, um vírus, se há, ou não, pedido de resgate e quem sequestrou essa informação. Acho que mereceríamos essa resposta. Esperamos que, no momento oportuno, a Câmara possa esclarecer todos os guardenses», declarou.
No entanto, o socialista admitiu que a situação «deve ser grave», pois refletiu-se «no processo da convocatória dos vereadores para esta reunião de Câmara e da falta de alguns documentos que não puderam ser emitidos».

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