Política

Eduardo Brito renuncia ao mandato na Câmara da Guarda e coloca problema ao PS

Escrito por Luís Martins

Maria Manuela Simões, quarto elemento da lista socialista nas últimas autárquicas, não vai assumir lugar, não sendo também certo que o candidato seguinte, Manuel Simões, tenha disponibilidade para substituir o vereador a partir de 2020.

O PS vai ter um problema para resolver com a substituição do vereador Eduardo Brito, que anunciou que renunciará ao mandato no final do ano. Maria Manuela Simões, o quarto elemento da lista socialista às autárquicas de 2017, já disse a O INTERIOR que não irá assumir o lugar devido a problemas de saúde, não sendo também certo que Manuel Simões, o candidato seguinte, tenha disponibilidade para substituir o atual líder da oposição no executivo de maioria social-democrata.
Eduardo Brito comunicou a intenção de sair de cena na reunião da comissão política concelhia da passada sexta-feira e três dias depois partilhou a decisão na reunião quinzenal do executivo guardense. O candidato derrotado em 2017 invocou «razões de ordem política» e pediu «desculpas aos guardenses» por não levar o mandato até ao fim. «Não é uma decisão de agora, como não sou candidato nas próximas autárquicas, não faria sentido continuar», insistiu Eduardo Brito, para quem, se se mantivesse em funções, «estaria a atrapalhar a afirmação de uma liderança do PS para a Guarda» nas autárquicas de 2021. «Com esta decisão quero ajudar o Partido Socialista a ganhar a Câmara da Guarda», sublinhou ainda o vereador, não sem antes admitir que ela «até pode ser um alívio no seio do partido, que não a apoia, mas compreende».
Aos jornalistas, o socialista declarou no final da reunião que vai renunciar «em nome dos interesses da Guarda» e acrescentou que «eu não encaixava bem na estratégia do PS para a Câmara». «O improvável era o PS não ganhar em 2021, já em 2017 era impossível porque estava interiorizado na cabeça das pessoas. Eu sabia ao que vinha, mas há derrotas que valem mais do que mil vitórias», considerou, acrescentando que, «hoje, o PS, está em condições de igualdade com o PSD» na disputa pela autarquia da sede do distrito. Mas lembrou que o Governo também deve começar a fazer «qualquer coisa na Guarda, que comecem a aparecer os projetos enunciados e os compromissos assumidos no Hospital Sousa Martins». Até lá, Eduardo Brito deixou o retrato daquele que será o candidato socialista em 2021: «Deve ser uma pessoa da Guarda, pelo conhecimento que se exige, deve também ser uma solução de rutura e tem que ser um líder», sugere.
Quanto ao seu futuro, o vereador garante que «não há nada planeado», mas tudo indica que se preparará para liderar uma candidatura à concelhia de Seia e, eventualmente, concorrer novamente à Câmara serrana nas próximas autárquicas. Cenário que o próprio refutou aos jornalistas. Confrontado com o anúncio, o presidente social-democrata do município afirmou que a renúncia revela «a desunião do PS» e «a falta de soluções para o concelho». Para Carlos Chaves Monteiro, «o PS desistiu da Guarda e da sua responsabilidade enquanto partido da oposição, a prova disso são as renúncias sistemáticas no último ano. É a debandada geral». O edil disse mesmo que esta «desistência a meio do mandato é a demonstração clara que o Partido Socialista não está à altura dos desafios» e contrapôs afirmando que o PSD «é coeso e está determinado em resolver os problemas e no desenvolvimento da Guarda, como ficou patente nos últimos seis anos». Para Carlos Chaves Monteiro, tendo em conta as intervenções mais recentes, «não havia nada que justificasse a saída a meio do mandato».

PS embaraça maioria PSD com Américo Rodrigues

Ironia do destino, na mesma sessão em que Eduardo Brito anunciou a renúncia ao mandato, o PS forçou a maioria social-democrata a aceitar a proposta de Américo Rodrigues para receber a Medalha de Mérito Municipal no Dia da Cidade.
O nome do Diretor-Geral das Artes foi sugerido por Ana Cristina Correia e criou algum embaraço no seio da maioria, tendo em conta o passado recente. Em novembro de 2013, Álvaro Amaro demitiu o então diretor do TMG e, cinco anos depois, substituiu-o na coordenação da Biblioteca Municipal Eduardo Lourenço atribuindo-lhe funções na área da Educação. Cerca de um ano depois, Américo Rodrigues foi nomeado Diretor-Geral das Artes e na quarta-feira acabou homenageado pelo município de que era técnico superior. Para ultrapassar o desconforto causado pela proposta socialista, Carlos Chaves Monteiro reuniu com todo o executivo meia hora antes da reunião da passada segunda-feira e conseguiu uma solução de compromisso. Foi Eduardo Brito que acabou por confirmá-la ao dizer que a proposta de homenageados foi «consensual», enquanto o presidente da Câmara declarou que houve «consenso e unanimidade». E sentenciou o assunto declarando que nas escolhas dos cidadãos a distinguir «avaliamos atos e o desempenho profissional e pessoal». Este ano foram homenageadas dez personalidades, um histórico estabelecimento comercial e uma coletividade da cidade (ver texto na página ao lado).

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Luís Martins

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