A sinusite, ou rinossinusite, é definida como uma inflamação do nariz e dos seios perinasais. Trata-se de uma condição caracterizada por dois ou mais sintomas, sendo que um deles deve ser obstrução nasal ou secreção nasal, associado a dor ou pressão facial ou perda do olfato. Além disso, a definição inclui obrigatoriamente alterações sugestivas de sinusite no exame endoscópico nasal e/ou tomografia computadorizada (TC).
A patologia é classificada como aguda, se dura menos de 4 semanas, subaguda ou crónica se dura mais de 12 semanas.
A rinossinusite aguda e subaguda têm geralmente um tratamento médico, se exceptuarmos as complicações. A rinossinusite crónica merece uma abordagem mais específica e pode incluir uma terapêutica médica ou cirúrgica, dependendo da gravidade e causa subjacente.
Cada doente pode e deve ser abordado de forma personalizada, procurando definir o melhor plano de tratamento individualizado.
A importância do sucesso nesta missão é evidente. A rinossinusite aguda tem uma prevalência anual de 6 a 15% e é um dos motivos mais comuns para a prescrição de antibióticos. A rinossinusite crónica atinge 5 a 12% da população e, para além do impacto na qualidade de vida dos doentes, representa uma fatia significativa dos gastos diretos e indiretos com a saúde.
Compreendendo a doença, compreendemos que “ter sinusite” não é sinónimo de tratamento cirúrgico. Aliás, mesmo nos casos crónicos, é mais comum que o tratamento seja médico, com medicação sistémica ou local. No entanto, em casos individuais, de rinossinusite crónica localizada, o tratamento primário pode ser cirúrgico e, na maioria dos casos resistentes a terapêutica médica, o tratamento cirúrgico deve ser considerado.
Geralmente, o objetivo da cirurgia consiste em remover fatores de obstrução e melhorar a drenagem dos seios perinasais, o que permite posteriormente uma mais fácil e eficaz administração do tratamento médico que permita o controlo da patologia.
A abordagem é, nos nossos dias, quase sempre minimamente invasiva, sendo privilegiada a endoscopia, permitindo uma perfeita visualização das áreas a tratar com precisão – mais uma vez, de forma personalizada, abordando cada doente e a sua anatomia de acordo com a patologia e a previsível resposta ao tratamento.
A cirurgia endoscópica nasossinusal é um procedimento realizado em ambulatório, com baixa morbilidade na maioria dos casos e um período de pós operatório muito bem tolerado.
Mas como em quase tudo na vida, nem sempre nem nunca. Cada vez mais a abordagem médica é de precisão e personalizada. Não tratamos a sinusite e não operamos a sinusite. Tratamos o “nosso” doente com o melhor plano terapêutico para a “sua” sinusite.
* Otorrinolaringologista no Hospital CUF Viseu


