Os erros do Paulo Raimundo

Escrito por Diogo Cabrita

Quando falamos de saúde há um estribilho recorrente que é o do investimento. Investir em saúde pública e no SNS é importante e sobretudo é um processo que carece de raciocínio e logística. O dinheiro não cria boa gestão e por isso há falências, há instituições que fenecem.
Investir tem de estar enquadrado com uma transversalidade política, um acordo partidário com futuro, para durar umas décadas. O investimento em si mesmo carece de pessoas e não encontramos médicos debaixo de pedras, nem enfermeiros em qualquer lugar. Não encontramos porque se criaram outras portas que pagam melhor, outros cenários que os atraem. O SNS tem de mudar as leis do trabalho que o Partido Comunista, na sua força sindical, ajudou a construir. Podemos retirar do sistema o preguiçoso? Podemos despedir o diretor que construiu listas de espera e nunca trabalhou para as resolver? Não! O PCP construiu os contratos coletivos e detesta o mérito individual. E a lei que obrigasse os médicos formados no SNS a permanecer alguns anos no lugar da sua formação, como os internatos feitos pelas forças armadas, como as obrigatoriedades dos juízes? Impossível, por violar direitos que a FNAM (sempre dirigida pelo PCP) impediu desde cedo. Por tudo isto não se consegue contratar com facilidade. Outra coisa é o valor igual para trabalho igual. Há médicos que fazem um trabalho notável, observam, operam, têm consultas cheias de utentes. Esses são perseguidos pela construção nefasta das exigências de gestores de chouriças e salsichas. O médico só pode ver 10 consultas. Só pode operar 4 doentes. Tem de cumprir as horas, chegar a horas e cumprir biometria. A solução sempre foi inversa desta. Os médicos, enfermeiros, técnicos de diagnóstico, auxiliares e todos os demais funcionários de um sistema eficiente devem ser pagos por produtividade, eficiência de trabalho e isso é de novo incompatível com a visão do PCP e dos seus construtores de barreiras igualitárias. Por tudo isto, o PCP é culpado, como o PSD e PS, da destruição de um serviço que devia estar de modo eficaz a ajudar os portugueses a ter saúde, a ser produtivos, a cumprir desígnios públicos. Mas para funcionar tem de haver liderança. Princípio da boa fé, exigência com punição da negligência e do absentismo.

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Diogo Cabrita

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