A acreditação institucional do Politécnico da Guarda pela Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior, sem quaisquer condições, é mais do que um resultado formal. É a confirmação de que a qualidade no ensino superior não depende da localização, mas da consistência das instituições, das suas estratégias e do trabalho das suas comunidades.
Durante demasiado tempo, foi-se consolidando a ideia de que o Interior teria de se adaptar a padrões mais baixos, como se a exigência pudesse variar em função da geografia. Esta acreditação demonstra o contrário. Mostra que é possível fazer ensino superior com qualidade, ambição e impacto real fora dos grandes centros urbanos.
O processo de avaliação foi exigente, como deve ser. Analisou a estratégia institucional, o funcionamento do sistema interno de garantia da qualidade, os modelos de governação e os resultados alcançados. O que este resultado confirma é a existência de um caminho coerente: uma aposta na qualificação, na produção científica e na ligação entre o conhecimento e a sociedade.
Mas este reconhecimento levanta uma questão que não pode ser ignorada. Se as instituições do Interior demonstram qualidade e capacidade, porque continuam tantas vezes a ser tratadas como exceções no desenho das políticas públicas? Porque persistem diferenças no financiamento, na regulação e na forma como o sistema é pensado?
O futuro do ensino superior em Portugal não pode continuar a ser desenhado apenas a partir do litoral. As instituições localizadas em territórios de baixa densidade não são um problema a gerir. São parte da solução para desafios estruturais do país, desde a coesão territorial à atração e fixação de jovens qualificados.
Importa, por isso, reconhecer que estas instituições não são apenas espaços de formação. São também motores de inovação, polos de conhecimento aplicado e âncoras de desenvolvimento regional. Onde existe ensino superior com qualidade, existe também maior capacidade de atrair investimento, fixar talento e gerar dinâmicas económicas sustentáveis.
Ignorar este papel é persistir numa visão limitada do país. Valorizar estas instituições é, pelo contrário, assumir que a coesão territorial não se faz apenas com infraestruturas, mas também com conhecimento, qualificação e capacidade instalada no terreno.
Esta acreditação deve ser vista como um ponto de partida. Reforça a responsabilidade das instituições, mas também interpela os decisores públicos. Não basta reconhecer a qualidade quando ela é demonstrada. É preciso criar condições para que essa qualidade se consolide e cresça.
Quando uma instituição do interior prova que está à altura dos mais elevados padrões, o que está em causa já não é apenas o seu percurso. É o modelo de desenvolvimento que queremos para o país.
* Presidente do Instituto Politécnico da Guarda


