Opinião de Albino Bárbara: As 4 opções trigonométricas numa perspetiva de excelência ou na futilidade da conversa da treta!

Escrito por Albino Bárbara

O tema é incontornável. A opção existe e, se o trigo pode ser sarraceno, barbela ou comum numa moagem classificada por tipos, o produto final é sempre branco. Isto tem a ver com a remoção da casca e do germe, ficando apenas o endosperma que tem cor clara.
Será por isso que o povinho refere que são todos farinha do mesmo saco e, indo para o lado das capoeiras e das pitas, sempre se irá questionar “É branco galinha o põe?”. Virando a página, tentemos perceber porque é que de forma tão doentia a cor imaculada é defendida por uma corja de racistas do Ku Klux Klan. Pois bem, mais argumentos, para a direita ou um pouco mais à esquerda, é bem capaz de ficar explicada a opção “branco”.
A segunda opção tem a ver com a escolha deliberada que também não produz qualquer efeito, e, entre outras coisas, assume forma de rejeição, protesto, revolta, porque em face dos dois atores presentes (a proximidade é pouca ou nenhuma com qualquer um deles), sendo que a escolha anterior recaiu, com grau de probabilidade muito elevado, num outro ator que entretanto foi afastado da passerelle das virtudes. Isto é capaz de gerar alguma defesa de consciência e algum gozo pessoal, mas, quer se goste quer não, aporta consigo inúmeras consequências comportamentais e também políticas.
O passo seguinte tem a ver com a trigonométrica de Hiparco, que tem presente a perspetiva angular de todos os valores em jogo e em ação. Aqui chegados, das duas uma: ou acreditamos que D. Quixote (homem honesto e integro) cumpre a palavra e entrega ao bom do seu aio as ferraduras, novinhas em folha, que irá cravar nas patas do seu cavalo, dando-lhe uma nova forma de caminhada bem melhor e bem mais confortável; ou então, ao olhar para o outro lado, damos conta de determinada sereia, sentada nos rochedos do mar Tirreno, de cântico celestial para os nossos ouvidos, promete tirar todo o mal do mundo correndo com a Cruela, o Scar, o Hades, o capitão Gancho mais os irmãos metralha (ui, ui… isto de cuspir para o ar sem saber tirar a cara… tem lá tantos), prometendo-nos a raça pura, tudo isto num paraíso de tonturas onde a Alice já nem percebe onde está o tal país e o principezinho vê-se cercado de flores de laranjeira.
Tal qual como nas historietas do lobo com pele de cordeiro, dos três porquinhos ou do capuchino vermelho, não nos deixemos enganar. Aqui sim, todos sem exceção, temos obrigação de distinguir o trigo do joio ao assumirmos a nossa culpa, nossa completa responsabilidade na fecundação, geração e procriação do tal escarro que entretanto a democracia deixou parir.
Isto não termina aqui. No domingo vamos assistir à eleição do Presidente da República de Portugal. Porque somos gente boa e pacífica, percebemos que deste cantinho à beira mar plantado (no próximo mês de maio completamos 883 anos) demos novos mundos ao mundo, transmitindo língua, cultura e valores. Temos obrigatoriamente de continuar na senda do progresso, no respeito pelas instituições e na defesa da Democracia, da Liberdade e Justiça Social, na confirmação europeia, internacional, aquém e de além-mar. O futuro líder deve afirmar-se como fator de estabilidade, recusando, em definitivo, situar-se num espaço pernicioso onde o retrocesso civilizacional é mais que evidente, dando conta de um ordinário, discriminatório e estúpido slogan “o presidente dos portugueses de bem”, berrando, mentindo, aplicando as “verdades” de La Palisse, insultando, maltratando, fazendo jogo político para, de forma fanfarrónica, autointitular-se líder da direita, querendo um país a duas velocidades, numa aplicação quase a papel químico das leis de Nuremberg, onde está implícito a falta de respeito pelo seu semelhante.
E é isto que está em cima da mesa no próximo domingo.
Para finalizar, aí está a quarta opção. A “participação” passiva, quase anárquica, onde encaixam os itens das sondagens “Não sabe”, “Não responde” nesse distanciamento democrático, havendo necessidade de relembrar o apreço e consideração que devemos a todos aqueles que, ao longo dos anos, lutaram para que o direito ao voto fosse uma realidade. Nesta análise do “fantasma” da abstenção, ainda há duas leituras possíveis. A primeira tem a ver com a meteorologia e o tempo ruim que se faz sentir, a saída da nossa zona de conforto neste domingo invernal, enquanto que a segunda agarra o argumento “Só há dois e um, que tem quase todas as hipóteses, já está eleito”, o que não é de todo verdade. Só há eleição se houver votos, mesmo percebendo a existência de um favorito… Mas também aqui os eleitores têm de demonstrar, com a força do seu voto, a defesa da democracia, dos valores de Abril, derrotando, em toda a linha, o candidato da politiquice, da gabarolice e do populismo.
Pois bem… É por toda esta cadeia de razões – a que se soma ainda mais esta: a autoridade moral e ética de uma futura crítica.
Caro leitor, no próximo domingo não fique em casa. Vote. Escolha o mais alto magistrado do país. Pelo nosso futuro. Por Portugal.

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Albino Bárbara

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