As eleições presidenciais serão no próximo domingo. Depois de duas semanas de campanha e muitas mais de “pré-campanha”, há 11 candidatos à Presidência da República. Os estudos de opinião dizem-nos que há cinco com possibilidades de passarem à segunda volta.
A 20 de novembro escrevi aqui (www.ointerior.pt/opiniao/editorial-de-luis-baptista-martins-entre-a-civilidade-e-a-presidencia-da-republica/), no seguimento do debate entre António José Seguro e André Ventura, que «Seguro, com serenidade, elevação e civilidade, explicou que “não é por falar mais alto que resolve os problemas”. Evitou a berraria e não resvalou para o lamaçal para onde o líder do Chega o queria levar: a conversa da tasca. Seguro sabe que é ao centro que se ganham as eleições (…) – se se assumir como o candidato socialista, os demais candidatos da esquerda acabarão por desistir e Seguro passa à segunda volta. Mas sabe que, para ser eleito Presidente da República precisa de votos do centro, da social-democracia e de todos os socialistas – e este será o calcanhar de Aquiles de Seguro, muitos socialistas “nunca” votarão no candidato de Penamacor». Dois meses depois de ter escrito o que atrás repeti, sabemos que os candidatos de esquerda não deverão desistir a favor de Seguro, mas o candidato natural de Penamacor, não cometeu erros, não ostracizou ninguém e até já recebeu o apoio improvável de muitos “costistas”, como Santos Silva, ou de Pedro Nuno Santos – moderado e construtor de pontes entre a defesa do estado social, o socialismo democrático e europeu e o regime liberal, Seguro deverá passar à segunda volta.
Há dois meses, o almirante Gouveia e Melo ainda se destacava nos estudos de opinião, pese embora já em descida, que as últimas semanas confirmaram. No debate com Marques Mendes, Gouveia e Melo fulminou o antigo líder do PSD como o «facilitador de negócios». Marques Mendes não recuperou desse ataque e, mesmo com “toque a reunir” do PSD, dificilmente passará à segunda volta. O almirante, com essa investida, manteve-se vivo, mas, com a queda de Marques Mendes, quem terá ganho mais pontos terá sido João Cotrim de Figueiredo. O candidato liberal chega à última semana entre os primeiros (nas sondagens), mas a segunda-feira “horribilis”, entre a inabilidade política, a falta de confiança ao declarar que pode não ir à segunda volta e apoiar outro candidato (Cotrim pondera mesmo votar num iliberal autocrata como Ventura) e a nebulosidade à volta de uma suposta acusação de assédio sexual podem destroçar o “momentum” Cotrim.
Como há dois meses, continuo a achar que passarão à segunda volta André Ventura (que arrasou politicamente Cotrim na resposta ao eventual voto na segunda volta) e António José Seguro, que indiferente à falta de apoio inicial da esquerda, foi o único que construiu durante a campanha uma pose de estadista. Pode parecer pouco, mas analisando os últimos dois meses é muito! Talvez o suficiente para ir da civilidade à presidência.
PS: A Rádio Altitude recebeu e entrevistou os candidatos Marques Mendes, António José Seguro, Gouveia e Melo e Cotrim de Figueiredo. E “ouviu” e acompanhou informativamente os demais candidatos que estiveram na região, ainda que não tenham vindo à Casa da Rádio: António Filipe, André Ventura e Jorge Pinto. Prestámos um serviço público, informativo e cívico. Mais uma vez, ao contrário do que era expectável e desejável, este ato eleitoral decorre sem que se encontre revista a legislação que regula as emissões dos tempos de antena, pelo que, as Rádio Locais continuam sem ser contempladas e incluídas na contratação da divulgação da mensagem dos candidatos. Estes tempos de antena são pagos exclusivamente à comunicação social nacional (lisboeta) e insular: São milhões que são pagos às televisões e rádios nacionais por um serviço público que também é prestado pelas rádios locais que não recebem qualquer pagamento por esse serviço.


