Bilhete Postal de Diogo Cabrita: O canhoto

Escrito por Diogo Cabrita

O multilateralismo é uma ideia como qualquer outra em que uma parte da humanidade acredita com convicção. A crença é a mesma que inunda os que pensam o inverso. Sentar estas pessoas a uma mesa será um pedido insano, pois eles não se falam. Procuram em cada palavra a discordância, em cada afirmação assumem desígnios, em cada escolha garantem a maldade. Este processo converteu a política na pobreza de que falou José Pedro Aguiar Branco com pena e com sincero desejo de alteração. Claro que um desses tristes convictos lhe virou as costas. Faz parte do séquito de lutadores antidemocráticos que votam petições de silêncio, assinam propostas de controlo da informação, adoram os varrimentos dos opositores da rede social. Há democratas insultados na Avenida da Liberdade por quem? Pelos canhotos! Por aqueles que definem ou querem controlar a moral e as crenças de todos.
A esquerda verdadeira é como a direita democrática, não insulta, não vocifera, não constrói epítetos, não desenha cenários e não faz narrativas! A base da democracia é a discussão franca e aberta, a argumentação de ideias sustentada por factos e dados.
O multilateralismo é a ideia de um mundo com vários polos de decisão, mas acontece que era uma falácia que Donald Trump veio demonstrar ser falsa. O poder de mudar os corruptos, os assassinos, os facínoras está nas mãos do mais forte sobretudo se ele se rege por uma Magna Carta ou por instituições de garante democrático. As funções da ONU seriam deste teor, mas após a Jugoslávia e o Ruanda começaram a definhar. As intervenções no Camboja, pelo Vietname em nome de todos, acabaram com o regime sanguinário de Pol Pot. O ataque de todos ao Daesh na Síria foi fundamental para deitar abaixo um louco. Todos os países referidos antes eram da ala do canhoto, o político de esquerda “wook” que não consegue ter sentido crítico aos crimes dos amigos.
A esquerda nasceu de outra ideia, nasceu do combate a uma direita que morreu na Segunda Guerra Mundial. A esquerda democrática pugnava por valores muito bem descritos em Kant, no cristianismo, nos textos de Adam Smith e, mais tarde, na profusa literatura de John Rawls, Jürgen Habermas, Amartya Sen, Norberto Bobbio, Karl Popper. Em lado nenhum se mandava matar os inimigos. Em lado nenhum se pedia o silêncio dos opositores.
Na primeira guerra morreram a aristocracia e os impérios. Só que desde então despontou um novo! Não foi o do sol nascente, mas sim a América do Norte com a pujança de Roma antiga ou da França de Napoleão. Este poder único define os dias de agora. E para nossa sorte é um mundo democrático, concebido sobre a teoria dos pais fundadores, onde se inclui John Adams, Benjamin Franklin, Alexander Hamilton, Thomas Jefferson, George Washington.
A América do Norte está longe de ser uma maravilha, mas está também longe de ser o conjunto de enfadonhas e repetidas mentiras construídas pelos canhotos! A América de Trump está a fazer exatamente o que a ONU deixou de fazer nos anos 90 permitindo o acumular de regimes criminais que têm tido assento na própria ONU. Agora até estavam a fazer leis e tinham decisão e vigilância de regimes iguais aos seus. O Irão tinha lugar na comissão de defesa das mulheres! O ridículo atropelou a sociedade das nações!

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Diogo Cabrita

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