As opções ideológicas de não servir o povo

Escrito por Honorato Robalo

Desde a última crónica política muitos dos problemas se agudizaram em consequência da guerra e da especulação, infelizmente, os trabalhadores sofrem as consequências e do outro lado o grande capital obtém lucros chorudos e o Governo PSD/​CDS, cúmplice com a guerra e com o aproveitamento que o capital está a fazer para aprofundar a exploração, não toma qualquer medida para regular os preços dos bens e serviços essenciais e aumentar os salários e as pensões, para melhorar as condições de vida dos trabalhadores e do povo. Não posso deixar de salientar que Chega e Iniciativa Liberal deram apoio ao governo PSD/CDS votando contra as propostas do PCP na Assembleia da República.

O Governo prepara-se para agravar a situação económica do país e não toma medidas que permitam o reforço do investimento público em áreas nevrálgicas do desenvolvimento das funções sociais do Estado. Basta verificar os resultados de execução ao nível do PRR, a chamada “bazuca” que não tem passado de um instrumento de aprofundamento das assimetrias regionais. Também não podemos esquecer que as instituições públicas estão descapitalizadas há décadas, fruto das opções políticas de fundo em alienar o investimento público para canalizar as suas opções ideológicas claras de servir os grandes grupos económicos com a baixa do IRC, quando as opções deveriam ser no sentido da dimensão dos custos de contexto, nomeadamente a energia e telecomunicações. Se compararmos com Espanha percebemos os caminhos trilhados com consequência no custo do gás de botija, nos combustíveis, entre outros bens essenciais.

Paralelamente os grandes grupos económicos, muitos deles sediados fiscalmente na Holanda, têm lucros não tributados em Portugal, beneficiaram na “troika” e beneficiam mais uma vez com a crise energética provocada pelos EUA.

Na bolha em que o primeiro-ministro e os membros do Governo vivem, o país está melhor, mas, na realidade, no plano dos serviços públicos, a situação agrava-se também: quer nas condições de acesso ao Serviço Nacional de Saúde, confrontado com sucessivos encerramentos de serviços e falta de enfermeiros, médicos, TAS, TSDT, TSS, entre outros trabalhadores, quer na escola pública, com falta de professores e outros profissionais.

No plano da habitação, o Governo prossegue uma política de favorecimento dos especuladores, com consequências no aumento dos seus custos, que tornam inacessível este direito que a Constituição consagra.

Não posso deixar de enfatizar as opções ideológicas deste Governo para ultimar o pacote laboral, concretizando novas reuniões com as confederações patronais e a UGT, deixando mais uma vez de fora a CGTP-IN.

É neste quadro que importa desenvolver a luta pelos salários, os direitos e pela derrota do pacote laboral, mobilizando-se para a manifestação nacional que a CGTP-IN promove na próxima sexta feira, dia 17, em Lisboa. Importa, igualmente, dinamizar os 52 anos do 25 de Abril e preparar, a partir da ação reivindicativa nas empresas e locais de trabalho, a grande jornada de luta do 1º de Maio. Se dúvidas alguns tinham, a luta de classes está bem presente na nossa vida.

Honorato Robalo (membro da Direção da Organização Regional da Guarda (DORG) do PCP)

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