Opinião de António Ferreira: O Parque Urbano do Rio Diz

Escrito por António Ferreira

O Parque Urbano do Rio Diz, que muitos conhecem apenas como “Polis”, ou “Parque Polis”, foi inaugurado há quase vinte anos. Nesse espaço de tempo cresceram as árvores. Os choupos, as bétulas, os chorões e os pinheiros mansos ganharam porte e muitos deles estão hoje magníficos. A cidade abraçou esse parque e temo-lo agora com gente sempre que o tempo o permite: uns de bicicleta, outros a correr, outros a jogar futebol, muitos apenas a passear e a aproveitar as sombras.
Um parque como este merece atenção. A beleza, como se sabe, precisa de ser cuidada e tende a ser efémera. Um relvado bem cuidado pode rapidamente transformar-se num matagal. As árvores cresceram, mas um ramo morto pode cair e ferir alguém. Os equipamentos podem ganhar ferrugem e deixar de funcionar. O espelho de água pode ficar cheio de espécies daninhas e de lodo. Numa palavra, é necessária manutenção.
Posto isto, que se vê para além da beleza da cobertura arbórea? Antes de mais, o espelho de água vai acumulando lodo e matéria orgânica, ou vegetação aquática daninha. Disseram-me que é demasiado pequeno e não tem capacidade de auto-regeneração, mas nada sei disso. Sei que está muitas vezes sujo e que chega a cheirar mal. Ao lado vê-se um feio monte de terra, não sei se retirada da água. Há árvores tombadas e ramos partidos, provavelmente por causa das tempestades de março. Aqui e ali, vêm-se equipamentos estragados, talvez alvo de vandalismo. Um pouco por todo o lado, plásticos e lixo. Na zona central do parque, as ervas daninhas crescem descontroladamente. É como se tivesse havido o cuidado de cortar a erva nas zonas por onde circulam as pessoas, sendo abandonado o resto à sua sorte.
O rio Diz, que alimenta o espelho de água, tem as margens sufocadas com ervas altas e transporta livremente detritos para dentro do parque. A zona dos mais pequenos, chamada (raio de nome!) “Pópis no Espaço”, tem os mesmos equipamentos que tinha há vinte anos. Estão agora cheios de ferrugem e as tintas que antes eram vivas estão agora esbatidas ou apagadas. Os textos dos “placards” estão ilegíveis. Faltam baloiços.
Havia inicialmente dois cafés, mas um deles fechou, já há vários anos, e não voltou a abrir. Dá-se uma volta a todo o parque e não se percebe se há alguém encarregado de o vigiar. Fica-se com a sensação de que o espaço está entregue a si próprio. Não se nota uma organização que trate das coisas, que impeça actos de vandalismo, que ajude alguém que caia e se magoe, que evite que as coisas se estraguem e trate das reparações necessárias. Pode ser que exista, e faça discretamente o seu trabalho, mas num sítio em que costumam estar tantas crianças, pedia-se mais visibilidade.
Manutenção e vigilância (afinal eram duas palavras) é o que o parque precisa e merece. Não teremos outro tão cedo se perdermos este. As ervas que cresceram no Inverno e na Primavera vão secar no Verão e tornar-se perigosas, como perigosos são também os equipamentos enferrujados do parque infantil. Nota-se trabalho, mas não chega. O parque pode ser um sítio ainda melhor do que é e não parece muito difícil ou muito caro fazê-lo. Gasta-se muito dinheiro mal gasto em tantas outras coisas que bem podia ser investido ali com mais proveito.

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António Ferreira

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