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Associação Abraç’amente reúne familiares e amigos de pessoas com doença mental

Escrito por ointerior

Coordenador nacional das Políticas de Saúde Mental confia que quando houver equipas de cuidados de saúde primários completos a «taxa de consumo de antidepressivos vai começar a baixar»

Há uma nova associação na cidade mais alta e pretende unir familiares e amigos do Departamento de Psiquiatria e Saúde Mental da Unidade Local de Saúde (ULS) da Guarda.
A organização sem fins lucrativos foi apresentada publicamente na semana passada, no Auditório Dr. Lopo de Carvalho, no hospital guardense, onde Lesdália Pereira, presidente da direção, assumiu que a associação pretende «dar voz às famílias, na defesa dos seus direitos e legítimos interesses e contribuir para a melhoria da vida, de saúde e bem-estar dos familiares e amigos com doença mental». Através da Abraç’amente pretende-se «atuar para a melhoria das condições de vida, saúde, bem-estar e reintegração social dos familiares com doença mental e suas famílias». Outro objetivo é «promover, defender e pronunciar-se sobre políticas de saúde e saúde mental, de educação e de formação que garantam a prevenção, tratamento, acompanhamento e integração de pessoas com doença mental».
O último eixo dos integrantes da Abraç’amente é «divulgar e promover as boas práticas, reconhecidas por lei e por organizações nacionais e internacionais de referência no âmbito da saúde mental», acrescentou Lesdália Pereira. Nesse sentido, a associação Abraç’amente vai organizar atividades junto da comunidade, «desde os mais novos aos mais velhos». A primeira iniciativa está marcada para 20 de março, na Escola Afonso de Albuquerque, com a presença de profissionais do Departamento de Saúde Mental da Guarda, nomeadamente, psicólogos, psiquiatras, assistente social, entre outros.
A Assembleia Geral da Abraç’amente é constituída pela presidente Sílvia Castro; vice-presidente Diana Brigadeiro e a vogal Cândida Ribeiro. A direção é presidida por Lesdália Pereira e tem como vice-presidente Manuela Chagas, enquanto António Vaz Cruz é tesoureiro, Anabela Lopes Gonçalves secretária e Nuno Aparício vogal. Ao Conselho Fiscal preside Sílvia Leitão, sendo que Kevin Fernandes é secretário e Ana Alexandre é vogal. Na sessão pública de apresentação da associação esteve Miguel Xavier, coordenador nacional das Políticas de Saúde Mental, que disse que «ainda há ações por implementar, nomeadamente garantir o atendimento de utentes com doença mental nos centros de saúde». Na ótica do dirigente, pessoas que têm «doenças mentais comuns, como depressão e ansiedade, deviam ser atendidas nos Centros de Saúde, e não são porque não estão lá os profissionais necessários para as atender».
Ou seja, segundo Miguel Xavier, estas pessoas, «em vez de serem tratadas inicialmente de uma forma não farmacológica, saem do Centro de Saúde com uma receita e é isso que explica que em Portugal tenhamos a taxa mais alta de consumos e antidepressivos na Europa». O coordenador nacional das Políticas de Saúde Mental disse acreditar que, «quando tivermos equipas de cuidados de saúde primários completas, a nossa taxa de consumo de antidepressivos vai começar a baixar».

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