António José Seguro, “um de nós”

O candidato que veio do interior, beirão e raiano, conquistou o país.

Por entre a depressão Kristin e das cheias em grande parte do país, a 2ª volta das eleições presidenciais ficou marcada pela tragédia, pelo mau tempo e pela participação dos portugueses nestas eleições: um país em estado de calamidade, mas os portugueses foram votar cumprindo o seu direito e o seu dever cívico de eleger o próximo Presidente da República – ver pessoas a irem votar de barco não é terceiro-mundista, é uma lição de participação cívica e democrática, e o distrito de Leiria deu-nos essa extraordinária lição.

Há 6 meses era pouco provável que alguém pudesse antecipar que o candidato natural de Penamacor fosse eleito chefe de Estado, mas Seguro foi conquistando os portugueses pela defesa de valores como a Democracia e a Constituição ou os direitos, liberdades e garantias.

António José Seguro foi o grande vencedor destas eleições presidenciais. Os portugueses escolheram a moderação e a estabilidade. O candidato que veio do interior, beirão e raiano, conquistou o país. “Um de nós” (do título do livro “António José Seguro – Um de Nós – Sonhar Portugal, Fazer Acontecer”, de Rui Gomes) que todos esperamos que agora não se esqueça de onde vem e para onde queremos ir, para um país uno, com coesão territorial e correção de assimetrias.

O militante de base do PS da Guarda esteve mais de 10 anos afastado dos palcos da política, mas com civilidade, serenidade e moderação, foi conquistando os portugueses, venceu a 1ª Volta e foi eleito Presidente da República Portuguesa, com 66,8% dos votos. Foi um caminho que iniciou sozinho, sem o apoio imediato do PS, que agora reivindica a sua parte na vitória, e agregando gradualmente apoiantes, na segunda volta até de personalidades da direita.

António José Seguro venceu em todos os distritos portugueses e só perdeu nos círculos da emigração, onde, como se previa, estranhamente, André Ventura foi o candidato mais votado.

No distrito da Guarda António Jose Seguro foi eleito por 65,8% dos votos contra 34,2% de André Ventura.

O líder do Chega foi o derrotado. André Ventura ambicionava crescer e que a urnas retificassem a sua proclamação de líder da direita. Teve o voto de 33% dos eleitores, mas perdeu em todos os distritos. Com os seus 1.729.381 votos ficou aquém dos dois milhões conquistados por Luís Montenegro nas últimas legislativas – a urnas não lhe deram a liderança da direita, mas deram-lhe um resultado que deve preocupar o PSD e o governo. Vamos ouvi-lo repetir muitas vezes que vai «governar este país».

Em contraciclo, 25 anos depois, um socialista volta a ser eleito presidente da República portuguesa. António José Seguro foi eleito por 3.482.481 votos – nunca tantos portugueses elegeram um presidente da República.

 

 

Sobre o autor

Luís Baptista-Martins

Deixe comentário