Fevereiro é um mês de transição. Distante do balanço imediato do ano que terminou, mas suficientemente próximo para permitir avaliar, com clareza, o ritmo e a intensidade do trabalho já realizado. Um tempo adequado para reafirmar prioridades e assumir, sem ambiguidades, as exigências do ano político que agora se desenha.
A atual legislatura parlamentar arrancou em junho, comprimindo num curto espaço de tempo um volume significativo de trabalho parlamentar. Os meus primeiros seis meses como deputada eleita pelo círculo da Guarda ficaram marcados por uma intervenção intensa e constante, quer no plano legislativo, quer no acompanhamento atento das realidades do interior. Um trabalho feito de presença, de articulação institucional e de intervenção política consistente, com um objetivo claro: não deixar os territórios fora do centro das decisões.
Representar o interior é recusar uma visão fragmentada do país. É insistir numa leitura global, onde as políticas públicas têm de responder às desigualdades estruturais, às fragilidades acumuladas e às emergências recorrentes que afetam de forma desproporcionada determinadas regiões. É, sobretudo, exigir um Estado que funcione quando é mais preciso, com capacidade de antecipação, coordenação e resposta.
Os últimos dias trouxeram novamente imagens duras e inquietantes de várias regiões do país atingidas de forma severa pelo mau tempo. Cheias, derrocadas, estradas cortadas, populações isoladas e prejuízos avultados recordaram, de forma brutal, a vulnerabilidade de muitos territórios (não apenas do interior) e a urgência de respostas rápidas, coordenadas e eficazes. Fenómenos extremos lembram-nos que a exceção tende a tornar-se regra e que a preparação e a capacidade de resposta do Estado são cada vez mais determinantes.
A esta realidade soma-se outra que permanece longe de resolvida: uma parte significativa do país continua ainda a sofrer os efeitos dos incêndios do último Verão. Famílias, agricultores, pequenos produtores e comunidades inteiras vivem entre a perda e a espera, num território marcado por feridas abertas que não desaparecem com o fim da época crítica.
Os dados relativos aos incêndios rurais de 2025 ajudam a dimensionar essa realidade. Só na região Centro foram apresentadas mais de cinco mil candidaturas a apoios por prejuízos agrícolas, abrangendo 25 municípios de vários distritos do interior. Cerca de 7,2 milhões de euros foram já pagos, mas mais de metade dos processos permanece por concluir. Num território caracterizado pelo minifúndio, pela dispersão das parcelas e pela complexidade das vistorias no terreno, os procedimentos exigem rigor e articulação técnica, mas também capacidade de decisão e sentido de urgência.
Para quem perdeu rendimentos, meios de subsistência ou capacidade produtiva, o tempo da resposta pública é decisivo. É nestes momentos que se mede a eficácia do Estado e a capacidade das instituições para agir de forma proativa, antecipar riscos e estar ao lado das pessoas quando mais precisam.
Seja no Verão ou no Inverno, vêm ao de cima fragilidades estruturais que reclamam mais prevenção, mais planeamento e mais coordenação entre níveis de decisão. Mas exigem também liderança política à altura.
É neste contexto que a escolha que o país fará no próximo dia 8 assume um significado particular. Não se trata apenas de rejeitar quem não queremos. Trata-se de afirmar, de forma positiva e consciente, quem queremos em democracia.
O país precisa de um Presidente da República com sentido de Estado, visão de conjunto e profunda sensibilidade social. Um Presidente democrata e humanista, capaz de unir o país nos momentos difíceis e de representar todos, sem exceção. Um Presidente que compreenda que Portugal não se esgota nos grandes centros urbanos e que saiba olhar para o território por inteiro, reconhecendo o interior como parte essencial da coesão nacional.
Num tempo marcado por emergências climáticas, desigualdades persistentes e crescente desconfiança, é essencial uma figura que exerça o cargo com serenidade, rigor e respeito pelas instituições. Que saiba estar presente quando é preciso exigir respostas, garantir equilíbrios e afirmar valores democráticos.
É por isso que a escolha do dia 8 não é apenas contra quem divide, mente e achincalha. É, sobretudo, a favor da estabilidade democrática, da coesão territorial, da dignidade das pessoas e de uma visão de país inteiro. É a favor de um Presidente com perfil de Estado, compromisso humanista e capacidade de unir. Esse perfil é o de António José Seguro.
O novo ano exige determinação, e não hesitação. E o país precisa, mais do que nunca, de um Presidente da República legitimado por uma votação clara e expressiva, que afaste da aritmética do adversário toda e qualquer tentativa de fazer render politicamente uma derrota.
* Deputada do PS na Assembleia da República eleita pelo círculo da Guarda e coordenadora da Comissão Permanente de Educação e Ciência


