O malandro é ruidoso. O maroto, quanto mais bebe, mais alto fala. Hoje, no restaurante ouvia-se na sala inteira. Um tipo que se acha engraçado. O malandro contou anedotas, algumas boçalizadas, outras com histórias divertidas. A audiência ri, os companheiros deliram e o artista rejubila. Agora quase relincha. Um restaurante inteiro ouve o ator bêbado que fala.
A voz pode ser um enfado por causa do volume. A vozearia é tonitruante e dilacera os silêncios. Quando há alguém assim deve desligar-se a música. O rádio é ruído. A televisão é cansaço.
Se gostamos de ter o Jorge na sala temos de adaptar o ambiente ao personagem. Ele é o centro de mesa, o ator que nos entretém, o motivo da festa às gargalhadas. O Jorge não se trava. Engatado, arranca como um trator devorando os terrenos à sua frente.
A personagem nasceu assim e não tem travagem. Ele, na sua amizade intensa, suspeita que é aquilo que se espera dele. Nunca ouve. Ele fala. Enche por completo a sala.
O Jorge garante o interesse e carrega a audiência. Muitos que o convidam esperam esta atração que une gente diferente e conquista a diversão. As pessoas como o Jorge são afirmativas e eloquentes e talvez por isso mais atraentes.
A mim cansam, se estiverem a tarde inteira.


