Em Viseu, como em todo o país, o cancro da mama é uma realidade próxima e que toca a vida de várias famílias. A estatística de que uma em cada oito mulheres poderá enfrentar este diagnóstico convoca-nos à ação, sabendo que existe uma enorme mensagem de esperança: quando detetado numa fase inicial, o cancro da mama tem uma taxa de cura superior a 90%.
Estes resultados assentam em avanços notáveis na Imagiologia. O diagnóstico precoce é como montar um “puzzle” de várias peças, que nos permite chegar a um resultado de confiança.
A mamografia, idealmente com tomossíntese (mamografia 3D), é o ponto de partida. Esta evolução da tecnologia permite-nos avaliar de forma detalhada o tecido mamário em múltiplas “camadas” milimétricas, levando ao aumento na deteção de cancro em mais de 30% em relação à mamografia 2D. É importante saber que a dose de radiação utilizada nestes exames é segura e, com as técnicas mais modernas de mamografia 3D, pode ser até inferior à dose da mamografia convencional, com a vantagem acrescida de reduzir a necessidade de exames adicionais.
A ecografia mamária, não sendo um método de diagnóstico primário do cancro da mama, é um complemento indispensável. Não é dolorosa e utiliza “ultrassons” sem radiação associada, totalmente segura para qualquer mulher. É fundamental para caracterizar nódulos e para guiar biópsias com enorme precisão.
Contamos ainda como a ressonância magnética mamária, exame que funciona como um “mapa mamário detalhado”, utilizado nos casos mais complexos ou de alto risco, sendo a nossa ferramenta mais sensível para guiar as decisões mais difíceis.
Estas tecnologias são apenas instrumentos, e precisam de um maestro. Esse maestro, muitas vezes invisível, é o médico radiologista. É ele que coordena esta “orquestra” de imagens e decide quais os exames necessários na hora certa, interpretando a informação para chegar a um diagnóstico preciso.
Na minha prática clínica como radiologista dedicado à imagiologia mamária, é frequente deparar-me com exemplos de como os vários exames se complementam entre si. Lembro-me de uma senhora com uma densidade mamária extremamente elevada, o que tornou a sua mamografia inconclusiva. Foi a ecografia mamária complementar que nos permitiu diagnosticar um tumor numa fase inicial, com menos de 1 centímetro de diâmetro. A realização de exames de diagnóstico complementares permitiu um diagnóstico precoce que mudou o seu futuro, possibilitando um tratamento mais simples e um excelente prognóstico.
A tecnologia está do seu lado, possibilitando este diagnóstico precoce de forma precisa e segura. Conhecer o seu corpo e confiar nos especialistas que montam este “puzzle” é uma importante arma na luta contra o cancro da mama.
* Radiologista no Hospital CUF Viseu
N.R.: Esta secção é uma colaboração mensal do Hospital CUF Viseu, na qual os seus profissionais partilham conselhos e dão dicas sobre saúde.


