Começamos a saber quem vão ser os candidatos à Câmara da Guarda: João Prata está confirmado pelo PSD, Sérgio Costa vai ser de novo candidato, não se sabe bem por quem, e fala-se de Monteirinho pelo PS e de Luís Soares pelo Chega.Sabemos muito pouco sobre as suas propostas, a não ser algumas generalidades e a constatação, pelo menos na opinião de Monteirinho, de que o último mandato foi um fracasso para o atual presidente.
Nas próximas semanas devíamos saber mais alguma coisa sobre as ideias dos candidatos e o que propõem para combater alguns dos problemas que nos afligem: o acelerado envelhecimento das populações e a fuga dos jovens, a crescente falta de habitação e a subida do preço das casas e do custo das rendas, a falta de mão-de-obra em setores críticos como a construção civil e os lares de terceira idade, a urgência do saneamento financeiro do município ou a falta de uma estratégia integrada para a região.
Em vez disto, vamos ter o habitual leilão de promessas e de passa-culpas, começando pela Alameda da Ti Jaquina e continuando por propostas de obras e recuperações e reabilitações, sempre sem explicar de onde vem o dinheiro para tanta obra.
Como as eleições estão marcadas para 12 de outubro e chegámos a junho com tão pouco, com alguns nomes e pouco mais, temos obrigação de sentir desconforto enquanto eleitores. A partir daqui vamos ter o verão e as férias e no regresso, em setembro, vamos ter poucas semanas para discutir ideias, pessoas, promessas e programas eleitorais.
Bem sei que até aqui foi o tempo dos tabus e da intriga política, das decisões sobre quem concorreria por que partido e se podia concorrer ou não. Álvaro Amaro, por exemplo, apesar de parecer disponível para um novo mandato, acabou por sair discretamente de cena. Sérgio Costa, por sua vez, poderia ter regressado ao PSD, não se sabe em que condições, mas agora parece que não. Monteirinho avança como candidato pelo PS e não se chegou a falar em mais ninguém, mostrando que do partido que governou o concelho durante décadas pouco resta.
Em suma, tudo se prepara para que as eleições sejam (outra vez) decididas por militantes e apaniguados, sob o olhar desinteressado e desiludido (outra vez) da generalidade dos cidadãos. Queixem-se depois do aumento da abstenção.


