Fomos a eleições no passado dia 18 de maio.
Em primeiro lugar, uma palavra de apreço pela forma ordeira como os portugueses exerceram o seu direito constitucional de decidir sobre os seus representantes para a próxima legislatura. Tirando um ou dois casos de menor civismo, o ato eleitoral decorreu de forma livre e sem incidentes. Estamos todos de parabéns.
Em segundo lugar, considero que sermos chamados a pronunciar-nos, em urna, sobre o que foi feito pelo poder legislativo e executivo, é o momento mais alto de qualquer democracia e assim deve ser entendido. Não é “perder tempo”, ou “gastar dinheiro”, é permitir que o povo use a sua voz, favorecendo ou penalizando consoante os méritos do trabalho realizado e/ou das propostas que são apresentadas. Assim aconteceu!
Numa breve e sucinta análise, antes de escrutinados os votos da nossa diáspora, podemos chegar a duas ou três conclusões:
O campo sociológico da direita sobrepôs-se indubitavelmente sobre o campo sociológico da esquerda. As promessas dos “amanhãs que cantam” não mereceram a confiança dos eleitores, tendo contabilizado somente cerca de 32 por cento dos cidadãos votantes. A Aliança Democrática, o Partido Chega e a Iniciativa Liberal conseguiram, no seu conjunto, eleger até ao momento 156 deputados, mais de dois terços dos lugares do Parlamento, podendo esse valor ser aumentado até 160, após contabilizados os votos dos nossos emigrantes. Foi, pois, uma vitória inquestionável da direita. Pela primeira vez, desde 1975, caso haja entendimento, a Constituição da República poderá ser revista sem qualquer influência socialista, limpando de vez todos os anacronismos históricos ainda existentes na Lei Fundamental da República.
Individualmente, contabilizam-se três vencedores. A Aliança Democrática, que aumenta em valor absoluto, em valor relativo e em lugares no Parlamento, não tendo sido penalizada pela crise criada pelo primeiro-ministro. O Partido Chega que reforça a sua posição, podendo vir a ser o segundo partido com mais representantes na AR, passando a ser o líder da oposição e, à esquerda, o Livre, que passa de 4 para 6 representantes.
Interessante ver que um partido de pendor regional, o JPP, passou também a ter a sua voz na Assembleia da República.
Do lado dos grandes derrotados, temos, sem sombra de dúvida, o Partido Socialista e o Bloco de Esquerda. Quanto ao PCP (sob a sigla CDU nas eleições) vem, paulatinamente, caminhando para o definhamento.
O que se assistiu no todo nacional, também se assistiu no círculo eleitoral da Guarda. A AD e o Chega reforçaram a sua votação e o Partido Socialista diminui. No final, a distribuição dos lugares pelo nosso distrito manteve-se, mas ficou a certeza de que o Partido Chega poderá vir a lutar pelo segundo lugar no distrito e pelo primeiro, com o decorrer do tempo.
Em jeito de conclusão, podemos afirmar que o povo decidiu e que colocou nos líderes partidários a responsabilidade de estar à altura dos acontecimentos.
É tempo de mudança. Não podemos esperar mais!


